Na sexta rodada, tivemos o clássico paraense Bruno Santiago de brancas versus Paulo Cohen de pretas. A abertura foi uma índia da dama, na qual as negras jogaram os úteis lances intermediários 4.Ba6 (para provocar b3 e debilitar a casa c3) e a manobra 5.Bb4+ e 6.Be7, que à primeira vista pode parecer perda de tempo, mas tem a intenção de privar as peças brancas das melhores casas (o BD fica melhor em b2 e não em c3).
Mas mesmo assim a partida seguiu mais ou menos os lances normais, até onde eu sei. Só creio que em vez de 13.Dc2 as brancas deveriam ter jogado 13.cxd5, e se 13.Dxd5+ segue 14.f3! com a ameaça de 15.e4! ganhando espaço no centro.
Com 13.Dc2 as negras aproveitaram a chance e jogaram 13.e5! ganhando espaço no centro. As brancas passaram então a se defender o resto do jogo todo e as pretas atingiram a pressão máxima depois de 24.Cf2, as pretas então jogaram 24.exf3 e perdem uma grande parte da vantagem, o melhor era 24.f4! com a idéia de e3, apertando o laço no jogo branco.
Depois disso, as brancas se defenderam com tenacidade e conseguiram o empate.
domingo, 30 de janeiro de 2011
terça-feira, 25 de janeiro de 2011
5ª rodada - final
Pensando já em acabar essa super série de posts sobre o torneio, me veio na cabeça analisar rapidamente a partida Gleydison x Leonardo.
É interessante falar dela porque mostra um pouco do método que é utilizado quando se quer jogar pra ganhar de pretas e o adversário é mais fraco.
O léo jogou sua bogo-índia de estimação e usou seu arranjo de peças que ele tá acostumado: bispo de b4 dobra os peões na coluna - c, o que por si só quebra a simetria da posição e cria uma potencial casa forte para o cavalo em e4. O cavalo nem chegou a ir para e4, mas não foi preciso. Com o bispo em b7, a Dama indo pra ala do rei via e8 e h5, e, depois as duas torres (!!) apontando para o pobre rei branco, ganhar o ponto só foi uma questão de tempo.
Vendo essa partida, me lembrei de uma que foi jogada hoje no tata steel chess, entre Nakamura e Anand. Mantendo as devidas proporções, dá pra vocês verem como alguma das milhares de variantes e subvariantes dessa linha. O Anand conseguiu jogar o cavalo em e4, mas Nakamura organizou algum contrajogo com d5 e conseguiu segurar o final em que ele ficou um pouco pior, depois de Rxf6.
http://www.chessgames.com/perl/chessgame?gid=1604519
abraço!
É interessante falar dela porque mostra um pouco do método que é utilizado quando se quer jogar pra ganhar de pretas e o adversário é mais fraco.
O léo jogou sua bogo-índia de estimação e usou seu arranjo de peças que ele tá acostumado: bispo de b4 dobra os peões na coluna - c, o que por si só quebra a simetria da posição e cria uma potencial casa forte para o cavalo em e4. O cavalo nem chegou a ir para e4, mas não foi preciso. Com o bispo em b7, a Dama indo pra ala do rei via e8 e h5, e, depois as duas torres (!!) apontando para o pobre rei branco, ganhar o ponto só foi uma questão de tempo.
Vendo essa partida, me lembrei de uma que foi jogada hoje no tata steel chess, entre Nakamura e Anand. Mantendo as devidas proporções, dá pra vocês verem como alguma das milhares de variantes e subvariantes dessa linha. O Anand conseguiu jogar o cavalo em e4, mas Nakamura organizou algum contrajogo com d5 e conseguiu segurar o final em que ele ficou um pouco pior, depois de Rxf6.
http://www.chessgames.com/perl/chessgame?gid=1604519
abraço!
domingo, 16 de janeiro de 2011
5ª rodada
Minha melhor partida veio na quinta rodada. Finalmente consegui marcar um ponto inteiro contra o forte jogador ( e também muito mala e gente boa rsrs) Liduíno Furtado. Agora o placar está 4 partidas, sendo que duas vitórias pra ele, uma vitória pra min e um empate.
Jogamos uma Francesa, variante clássica, com 3.Cf6, o que eu não esperava (achava que ia ser a Najdorf) fiz uns lances lógicos na abertura, mas não consegui nada demais, e posso até dizer que as negras estavam um pouco melhores depois do lance 20. Vale notar que o lance 10. das negras pode ter sido uma pequena imprecisão (era melhor b5 direto) e o meu 13.g3 pode ter sido pouco ousado (talvez g4 fosse melhor).
Detalhes à parte (que são importantes quando a partida é rápida e intensa). Atingimos uma posição do tipo "faca-de-dois-gumes no lance 26. Achei muito interessante a estratégia de defesa e ao mesmo tempo contra-ataque das negras em jogar Rh8! permitindo f6, mas em contrapartida pensando no plano Df8-g8-g6, atuando na diagonal b1-h7, rumo ao meu rei.
O lance 27 foi crítico porque eu tinha que escolher entre uma variante muito forçada, que, na hora, não via que era boa pra min, e uma variante mais defensiva, porém mais segura. Escolhi a segunda opção porque realmente: 27.Te5, com a idéia da manobra Tg5 e Tg7 demorava muito, as negras chegavam em a2 e até sacrificavam o cavalo em b3, pra tentar o mate! Entretanto, depois da partida o pessoal mostrou que talvez fosse possível (o Rybka analisou muito rápido) a combinação com o intermediário Tg5! Exemplo: Te5-Ta8/Th5-Ta5/Dh4-Dg8/Tg5!-Df8/Tg7 e aí ganha a Dama, e segue uma série de xeques até o ganho de fato.
Mas eu sou humano e fiquei com medo de Txa2 e o inevitável mate em a1 ( o cavalo impede a fuga do meu rei via d3). Então joguei 27.Bf1, a partida seguiu a segunda linha que eu havia dito, spo que depois de algumas imprecisões das negras eu me senti tentado a jogar o provocativo 37.g4!? que, objetivamente empata, mas como eu sabia que o Liduíno joga muito rápido e agressivamente, talvez ele pudesse se enrolar.
Foi o que aconteceu. 40. d3 com certeza foi o lance perdedor.O correto seria 40.Dg6! quem em todas as variante que a gente analisou depois da partida leva ao empate, porque se eu tento sair com a minha torre ao ataque, as negras conseguem um perpétuo com a dama.
Enfim, depois de 41.Tg2 a partida acabou.
Jogamos uma Francesa, variante clássica, com 3.Cf6, o que eu não esperava (achava que ia ser a Najdorf) fiz uns lances lógicos na abertura, mas não consegui nada demais, e posso até dizer que as negras estavam um pouco melhores depois do lance 20. Vale notar que o lance 10. das negras pode ter sido uma pequena imprecisão (era melhor b5 direto) e o meu 13.g3 pode ter sido pouco ousado (talvez g4 fosse melhor).
Detalhes à parte (que são importantes quando a partida é rápida e intensa). Atingimos uma posição do tipo "faca-de-dois-gumes no lance 26. Achei muito interessante a estratégia de defesa e ao mesmo tempo contra-ataque das negras em jogar Rh8! permitindo f6, mas em contrapartida pensando no plano Df8-g8-g6, atuando na diagonal b1-h7, rumo ao meu rei.
O lance 27 foi crítico porque eu tinha que escolher entre uma variante muito forçada, que, na hora, não via que era boa pra min, e uma variante mais defensiva, porém mais segura. Escolhi a segunda opção porque realmente: 27.Te5, com a idéia da manobra Tg5 e Tg7 demorava muito, as negras chegavam em a2 e até sacrificavam o cavalo em b3, pra tentar o mate! Entretanto, depois da partida o pessoal mostrou que talvez fosse possível (o Rybka analisou muito rápido) a combinação com o intermediário Tg5! Exemplo: Te5-Ta8/Th5-Ta5/Dh4-Dg8/Tg5!-Df8/Tg7 e aí ganha a Dama, e segue uma série de xeques até o ganho de fato.
Mas eu sou humano e fiquei com medo de Txa2 e o inevitável mate em a1 ( o cavalo impede a fuga do meu rei via d3). Então joguei 27.Bf1, a partida seguiu a segunda linha que eu havia dito, spo que depois de algumas imprecisões das negras eu me senti tentado a jogar o provocativo 37.g4!? que, objetivamente empata, mas como eu sabia que o Liduíno joga muito rápido e agressivamente, talvez ele pudesse se enrolar.
Foi o que aconteceu. 40. d3 com certeza foi o lance perdedor.O correto seria 40.Dg6! quem em todas as variante que a gente analisou depois da partida leva ao empate, porque se eu tento sair com a minha torre ao ataque, as negras conseguem um perpétuo com a dama.
Enfim, depois de 41.Tg2 a partida acabou.
5ª rodada
Na 5ª rodada, a primeira mesa via o confronto entre o "francês"- paraense Paulo Cohen de brancas e o brasiliense (e paraense tb) Daniel Mendes.
A partida seguiu uma linha super teórica da siciliana variante lasker, também chamada de schevenshinikhov (não sei como se escreve isso hehe).
Como eu disse, a variante é extremamente teórica, mas existe é claro, todo um conjunto de idéias por de trás dela.
Por exemplo, pode acontecer, como na partida, das brancas ganharem um peão na ala da dama e as negras em compensação, terem inciativa no centro e ala do rei. No caso, as brancas fizeram uns lances confusos com a torre vagando pela quinta fileira, ficando cravada, devido à ameaça em f2.
Mesmo assim, durante quase todo o tempo, o rybka dava igualdade - eu me lembro que o Cohen colocou o Rybka pra funcionar logo após a partida, no lado de fora so salão de jogos. Foi possível ver que o erro realmente crucial foi mesmo o último lance 31. Da5?? que permite o golpe tático 31.Tbxf2!
O correto mesmo era 31. Tc6! que tiraria a Dama da perigosa diagonal g1-a7, e consequentemente da pressão em f2, centro de toda a partida.
Para ilustrar um pouco dessa complexa e extremamente teórica linha da siciliana, deixo o link de duas partidas que eu acho bem interessante nessa linha, na primeira, o Leko utiliza um desenvolvimento diferente do Cohen com Ccb4! e Bb5 com a idéia de Bc6, tudo isso jogando precocemente h4! com a intenção de descoordenar um pouco a ação do bispo negro.
Na outra, de novo o nosso amigo Peter Leko ( escolhi mostrar partidas dele porque ele joga muito bem essa variante posicional da Sveshinikov) joga uma partida mais parecida do que ocorreu aqui no aberto do Pará, com a diferença de que o húngaro preferiu focar no peão de d6 atrasado, atacando o centro, do que jogar sua artilharia no peão de a5 da ala da dama.
http://www.chessgames.com/perl/chessgame?gid=1486772
http://www.chessgames.com/perl/chessgame?gid=1485678
E a partida jogada aqui no Pará =)
Abraço e até os próximos posts.
A partida seguiu uma linha super teórica da siciliana variante lasker, também chamada de schevenshinikhov (não sei como se escreve isso hehe).
Como eu disse, a variante é extremamente teórica, mas existe é claro, todo um conjunto de idéias por de trás dela.
Por exemplo, pode acontecer, como na partida, das brancas ganharem um peão na ala da dama e as negras em compensação, terem inciativa no centro e ala do rei. No caso, as brancas fizeram uns lances confusos com a torre vagando pela quinta fileira, ficando cravada, devido à ameaça em f2.
Mesmo assim, durante quase todo o tempo, o rybka dava igualdade - eu me lembro que o Cohen colocou o Rybka pra funcionar logo após a partida, no lado de fora so salão de jogos. Foi possível ver que o erro realmente crucial foi mesmo o último lance 31. Da5?? que permite o golpe tático 31.Tbxf2!
O correto mesmo era 31. Tc6! que tiraria a Dama da perigosa diagonal g1-a7, e consequentemente da pressão em f2, centro de toda a partida.
Para ilustrar um pouco dessa complexa e extremamente teórica linha da siciliana, deixo o link de duas partidas que eu acho bem interessante nessa linha, na primeira, o Leko utiliza um desenvolvimento diferente do Cohen com Ccb4! e Bb5 com a idéia de Bc6, tudo isso jogando precocemente h4! com a intenção de descoordenar um pouco a ação do bispo negro.
Na outra, de novo o nosso amigo Peter Leko ( escolhi mostrar partidas dele porque ele joga muito bem essa variante posicional da Sveshinikov) joga uma partida mais parecida do que ocorreu aqui no aberto do Pará, com a diferença de que o húngaro preferiu focar no peão de d6 atrasado, atacando o centro, do que jogar sua artilharia no peão de a5 da ala da dama.
http://www.chessgames.com/perl/chessgame?gid=1486772
http://www.chessgames.com/perl/chessgame?gid=1485678
E a partida jogada aqui no Pará =)
Abraço e até os próximos posts.
4ª Rodada parte 3
A minha partida com o Medeiros foi uma Ruy Lopez, variante bem antiga, daquelas jogadas no tempo do Capablanca. Eu tive a idéia de jogar Bf1 e c4 pra jogar com pensando no domínio central. As pretas não jogaram os melhores lances, por exemplo: 11. Cd7 parece ser bem melhor que 11.b6, que cria uma debilidade em c6. Apesar de eu ter o domínio do centro também não consegui um ataque de mate ou nada que decidisse a partida rapidamente.
Mas, retomando o cavalo de d5 com o peão c, comecei a jogar naquela coluna, fui para um final de torre e bispo contra torre e cavalo (final favorito de Bobby Fischer) ganhei um peão e fui melhorando a posição até ganhar.
Mas, retomando o cavalo de d5 com o peão c, comecei a jogar naquela coluna, fui para um final de torre e bispo contra torre e cavalo (final favorito de Bobby Fischer) ganhei um peão e fui melhorando a posição até ganhar.
sexta-feira, 14 de janeiro de 2011
4ª rodada parte 2
Fala pessoal,
Lembrando que quem quiser ver todas as partidas que foram jogada nesse torneio, é só ir em :
http://www.abertodopara2010.fexpa.org.br/ que lá tem todas as partidas em pgn.
Continuando a comentar a 4ª rodada, achei interessante a partida Leonardo Eleutério x Antenor Braga.
Seria mais fácil o Léo vir aqui e postar suas análises sobre a partida, já que ele está muito mais familiarizado com as idéias da catalã do que eu. Mas, vou tentar relatar algumas impressões sobre essa partida.
O esquema que as pretas utilizaram para combater a catalã é super-sólido e talvez por isso, um tanto passivo. Nessa formação de peões em c6-d5-e6 o pessoal hoje em dia tenta desenvolver o BD via b6 colocando-o em b7 ou a6.
As negras tentaram jogar o libertador e5 mas não tiveram tempo pra isso. Com 8.c5 que a primeira vista eu tinha achado ruim, mas na verdade é um bom lance, principalmente seguido de 9.Bf4! , as brancas conseguiram o seu plano de dominar o centro (evitando e5) e já podiam tentar algo na ala do rei.
Aí veio o lance que eu acho principal na partida 11.e4. Outro que a primeira vista eu não faria, porque expõe o peão de d4 que está fraco. Mas, colocando rapidamente aqui no rybka ele dá inclusive como resposta a continuação que o antenor jogou contra 11.e4. Mas, talvez fosse melhor 13.Cf6 em vez de 13.f5, afim de evitar debilidades.
Com 14.Cxh7, as brancas entram em um final superior devido aos peões da ala dama estarem bem avançados e o peão de d4 poder ser protegido, e o bispo da dama preto não jogar.
As brancas manobraram bem, colocaram o cavalo em d6 e depois disso o ganho material era inevitável.
Lembrando que quem quiser ver todas as partidas que foram jogada nesse torneio, é só ir em :
http://www.abertodopara2010.fexpa.org.br/ que lá tem todas as partidas em pgn.
Continuando a comentar a 4ª rodada, achei interessante a partida Leonardo Eleutério x Antenor Braga.
Seria mais fácil o Léo vir aqui e postar suas análises sobre a partida, já que ele está muito mais familiarizado com as idéias da catalã do que eu. Mas, vou tentar relatar algumas impressões sobre essa partida.
O esquema que as pretas utilizaram para combater a catalã é super-sólido e talvez por isso, um tanto passivo. Nessa formação de peões em c6-d5-e6 o pessoal hoje em dia tenta desenvolver o BD via b6 colocando-o em b7 ou a6.
As negras tentaram jogar o libertador e5 mas não tiveram tempo pra isso. Com 8.c5 que a primeira vista eu tinha achado ruim, mas na verdade é um bom lance, principalmente seguido de 9.Bf4! , as brancas conseguiram o seu plano de dominar o centro (evitando e5) e já podiam tentar algo na ala do rei.
Aí veio o lance que eu acho principal na partida 11.e4. Outro que a primeira vista eu não faria, porque expõe o peão de d4 que está fraco. Mas, colocando rapidamente aqui no rybka ele dá inclusive como resposta a continuação que o antenor jogou contra 11.e4. Mas, talvez fosse melhor 13.Cf6 em vez de 13.f5, afim de evitar debilidades.
Com 14.Cxh7, as brancas entram em um final superior devido aos peões da ala dama estarem bem avançados e o peão de d4 poder ser protegido, e o bispo da dama preto não jogar.
As brancas manobraram bem, colocaram o cavalo em d6 e depois disso o ganho material era inevitável.
quinta-feira, 13 de janeiro de 2011
4ª rodada
Na quarta rodada, tivemos uma índia do rei, variante dos 4 peões na primeira mesa. Entre o brasiliense (porém paraense de coração, segundo ele) Daniel Mendes e o Otávio Jr.
As negras buscaram o jogo de gambito com 7. b5, no que as brancas, depois de 8. a6 , jogaram o pouco utilizado 9. b6 - geralmente as brancas jogam 9. a4 aqui, segundo uma pesquisa que eu acabei de fazer aqui rsrsrs.
Depois de 9.b6, as negras não precisam e nem devem retomar esse peão com a Dama, porém o bando preto assim o fez, permitindo o pequeno ganho posicional 10. Cd2! E agora as brancas vão até c4 com ganho de tempo. No lugar de 9. Dxb6 eu jogaria 9.Cbd7, em algumas linhas dessa variante, as pretas também podem desenvolver o BD via a6.
Com as peças mal coordenadas, as pretas jogaram 17.Td8? depois 19.Tb8 mostrando que estavam sem um plano claro. Quando acharam o plano Ce8-c7-b5-d4, as brancas já tinham o domínio do centro com a ameaça de 26. Cxd7 seguido de 27. e5 com vantagem significativa.
Por isso, as negras se precipitaram jogando 26. e5? e depois disso o jogo passou pro violentas complicações táticas sendo que depois que as brancas poderiam ter acelerado o ganho com 34. Tf1+ e se, por exemplo 34. Rg7 35. Bxd7! Dxd7 36. Bh6+ ganhando a dama.
Mas as brancas encontraram o caminho e acharam o arremate 36. Tef3!
As negras buscaram o jogo de gambito com 7. b5, no que as brancas, depois de 8. a6 , jogaram o pouco utilizado 9. b6 - geralmente as brancas jogam 9. a4 aqui, segundo uma pesquisa que eu acabei de fazer aqui rsrsrs.
Depois de 9.b6, as negras não precisam e nem devem retomar esse peão com a Dama, porém o bando preto assim o fez, permitindo o pequeno ganho posicional 10. Cd2! E agora as brancas vão até c4 com ganho de tempo. No lugar de 9. Dxb6 eu jogaria 9.Cbd7, em algumas linhas dessa variante, as pretas também podem desenvolver o BD via a6.
Com as peças mal coordenadas, as pretas jogaram 17.Td8? depois 19.Tb8 mostrando que estavam sem um plano claro. Quando acharam o plano Ce8-c7-b5-d4, as brancas já tinham o domínio do centro com a ameaça de 26. Cxd7 seguido de 27. e5 com vantagem significativa.
Por isso, as negras se precipitaram jogando 26. e5? e depois disso o jogo passou pro violentas complicações táticas sendo que depois que as brancas poderiam ter acelerado o ganho com 34. Tf1+ e se, por exemplo 34. Rg7 35. Bxd7! Dxd7 36. Bh6+ ganhando a dama.
Mas as brancas encontraram o caminho e acharam o arremate 36. Tef3!
quarta-feira, 12 de janeiro de 2011
3ª rodada - continuação
Uma partida minha que eu achei interessante do ponto de vista prático, mas péssima do ponto de vista técnico, foi a que eu joguei contra o amazonense Antenor Braga.
A partir seguiu a linha do sistema colle, com as brancas adotando uma formação bem típica com os peões em d4-c3-e3 , bispo em d3, cavalos em f3 e d2 etc. Jogo muito contra esse sistema quando vou jogar na internet pra passar o tempo e o jogador de Icoaraci Paulo David é o nosso adepto desse sistema aqui no Pará, com a diferença que o Paulo gosta de colocar o peão em f4 antes de desenvolver o cavalo do rei.
Eu adotei uma formação de peões "porco-espinho" . Posicionando-os em e6 - d6 - b6 e teria que jogar a6 também, mas com a Dama em e2 e o bispo em d3 esse "sonho" ficou adiado. A idéia da formação porco-espinho é manter o centro dinâmico, para, no momento certo, explodi-lo com b5, d5 ou e5, no mínimo igualando o jogo.
Mas o fato foi que eu falhei em achar o plano certo. Depois de 10. Cxd4 (geralmente as pessoas retomam com o peão) eu não encontrei o plano certo. O correto seria eu ter jogado 11. e5, só que eu não queria que o cavalo branco atingisse a casa f5 e o meu Bispo de e7 fosse trocado, deixando fraco o peão de d6. Só jogando e5 a posição seria mais dinâmica já que eu poderia joga, no momento oportuno, d5! Abrindo a posição e ativando as minhas peças. De qualquer forma, pelo menos com 11. e5 eu ficaria com uma posição menos passiva do que eu fiquei na partida.
O fato foi que as brancas foram que jogaram 13.e5 e depois com 17.Dh5! eu me vi com problemas para me defender - só colocar um cavalo em f8 não era suficiente.
As brancas tentaram um ataque de mate, e eu estava no espírito de me defender ( fomos os últimos a sair da sala) já que tinha vindo de uma doída derrota na segunda rodada.
Achei um recurso interessante 30. Bxf3! Só que falhei na continuação, jogando 31. Bxd1?? Foi uma alucinação de fim de jogo. Eu achei que sacrificando a Dama era o único jeito de evitar o ataque de mate. Mas o simples 31. Db6! aproveitando que a torre em e3 está indefesa, deixava a minha Dama no jogo e garantia uma partida mais equilibrada, depois de tanto tempo me defendendo.
Na fase final da partida, fui capaz de criar uma certa fortaleza com a torre o bispo e um pouco de preocupação para as brancas com o peão passado em f4, tudo isso aliado a um grande apuro de tempo de ambos os jogadores.
Na agitação do zenoit (apuro de tempo) as brancas entregam o peão passado "a" e quem fica com chances de vitória são as negras. Infelizmente, tinha muito pouco tempo no relógio e não consegui ver os melhores lances. As brancas acharam bons recursos e empataram por xeque-perpétuo.
A parte final da partida o Clauber filmou, seria legal ver ela aqui no blog.
abraço.
A partir seguiu a linha do sistema colle, com as brancas adotando uma formação bem típica com os peões em d4-c3-e3 , bispo em d3, cavalos em f3 e d2 etc. Jogo muito contra esse sistema quando vou jogar na internet pra passar o tempo e o jogador de Icoaraci Paulo David é o nosso adepto desse sistema aqui no Pará, com a diferença que o Paulo gosta de colocar o peão em f4 antes de desenvolver o cavalo do rei.
Eu adotei uma formação de peões "porco-espinho" . Posicionando-os em e6 - d6 - b6 e teria que jogar a6 também, mas com a Dama em e2 e o bispo em d3 esse "sonho" ficou adiado. A idéia da formação porco-espinho é manter o centro dinâmico, para, no momento certo, explodi-lo com b5, d5 ou e5, no mínimo igualando o jogo.
Mas o fato foi que eu falhei em achar o plano certo. Depois de 10. Cxd4 (geralmente as pessoas retomam com o peão) eu não encontrei o plano certo. O correto seria eu ter jogado 11. e5, só que eu não queria que o cavalo branco atingisse a casa f5 e o meu Bispo de e7 fosse trocado, deixando fraco o peão de d6. Só jogando e5 a posição seria mais dinâmica já que eu poderia joga, no momento oportuno, d5! Abrindo a posição e ativando as minhas peças. De qualquer forma, pelo menos com 11. e5 eu ficaria com uma posição menos passiva do que eu fiquei na partida.
O fato foi que as brancas foram que jogaram 13.e5 e depois com 17.Dh5! eu me vi com problemas para me defender - só colocar um cavalo em f8 não era suficiente.
As brancas tentaram um ataque de mate, e eu estava no espírito de me defender ( fomos os últimos a sair da sala) já que tinha vindo de uma doída derrota na segunda rodada.
Achei um recurso interessante 30. Bxf3! Só que falhei na continuação, jogando 31. Bxd1?? Foi uma alucinação de fim de jogo. Eu achei que sacrificando a Dama era o único jeito de evitar o ataque de mate. Mas o simples 31. Db6! aproveitando que a torre em e3 está indefesa, deixava a minha Dama no jogo e garantia uma partida mais equilibrada, depois de tanto tempo me defendendo.
Na fase final da partida, fui capaz de criar uma certa fortaleza com a torre o bispo e um pouco de preocupação para as brancas com o peão passado em f4, tudo isso aliado a um grande apuro de tempo de ambos os jogadores.
Na agitação do zenoit (apuro de tempo) as brancas entregam o peão passado "a" e quem fica com chances de vitória são as negras. Infelizmente, tinha muito pouco tempo no relógio e não consegui ver os melhores lances. As brancas acharam bons recursos e empataram por xeque-perpétuo.
A parte final da partida o Clauber filmou, seria legal ver ela aqui no blog.
abraço.
terça-feira, 11 de janeiro de 2011
Terceira Rodada
Na 3ª rodada, olhando aqui rapidamente, gostei da partida Genaro x Joá .
A partida foi uma Holandesa, na qual as brancas jogaram o pouco correto, a meu ver, 9.f4? já que a idéia da holandesa, quando você está com as peças brancas é realizar a ruptura f3 - e4 tudo isso aliado à idéia de manter a tensão no centro não jogando c5 rapidamente, deixando o peão e c4, as vez até sacrificando-o , tomar em d5, etc. Claro que tudo isso depende do que as pretas pretendem fazer também rsrsrs.
Bom, o fato é que as brancas jogaram f4 e criaram uma debilidade gigantesca em e4, que foi explorada pelas brancas. Mas apesar de tudo, as brancas seguiram um plano estratégico coerente e conseguiram um jogo ativo na ala da dama e até na ala do rei. Mas, as brancas cometeram algumas imprecisões e permitiram às negras realizar o golpe 33.c5! igualando o jogo, e , depois de 35. Txe5! o jogo ficou decidido para as negras.
Partidas em que as brancas jogam a holandesa jogando f3-e4 ou sacrificando o peão de c4:
http://www.chessgames.com/perl/chessgame?gid=1569961
http://www.chessgames.com/perl/chessgame?gid=1602683
A partida foi uma Holandesa, na qual as brancas jogaram o pouco correto, a meu ver, 9.f4? já que a idéia da holandesa, quando você está com as peças brancas é realizar a ruptura f3 - e4 tudo isso aliado à idéia de manter a tensão no centro não jogando c5 rapidamente, deixando o peão e c4, as vez até sacrificando-o , tomar em d5, etc. Claro que tudo isso depende do que as pretas pretendem fazer também rsrsrs.
Bom, o fato é que as brancas jogaram f4 e criaram uma debilidade gigantesca em e4, que foi explorada pelas brancas. Mas apesar de tudo, as brancas seguiram um plano estratégico coerente e conseguiram um jogo ativo na ala da dama e até na ala do rei. Mas, as brancas cometeram algumas imprecisões e permitiram às negras realizar o golpe 33.c5! igualando o jogo, e , depois de 35. Txe5! o jogo ficou decidido para as negras.
Partidas em que as brancas jogam a holandesa jogando f3-e4 ou sacrificando o peão de c4:
http://www.chessgames.com/perl/chessgame?gid=1569961
http://www.chessgames.com/perl/chessgame?gid=1602683
segunda-feira, 10 de janeiro de 2011
Segunda Rodada.
Na segunda rodada, ali do lado da minha mesa, estavam jogando Liduino x Andrey, vi uma siciliana variante do dragão violenta, e vi também que as brancas haviam ganhado a partida. Só que, quando fui olhar agora o jogo, não vi motivo nenhum para as negras haverem abandonado a partida. Deve ter acontecido alguma coisa errado na hora de copiar pra pgn. Mas eu posto ela mesmo assim, logo abaixo.
Uma outra partida interessante, foi o confronto do simpático jogador de Roraima Joá Costa com o campeão paraense 2008, Paulo Cohen.
A partida foi uma siciliana variante scheveningen, na subvariante do famoso ataque inglês. Cohen jogou certos os lances teóricos, mas na hora de fazer o sacrifício de qualidade com 13. Txc3! que jurava que ia fazer, dado o jogo agressivo que é comum do Cohen, ele joga 13.Cc4, que não chega a interrogar, mas não é a mesma coisa. No mais, a partida continuou com umas confusões tática no centro-ala da dama, mas que terminou em empate.
Duas partidas em que as negras jogam Txc3:
http://www.chessgames.com/perl/chessgame?gid=1287630
http://www.chessgames.com/perl/chessgame?gid=1546674
Uma outra partida interessante, foi o confronto do simpático jogador de Roraima Joá Costa com o campeão paraense 2008, Paulo Cohen.
A partida foi uma siciliana variante scheveningen, na subvariante do famoso ataque inglês. Cohen jogou certos os lances teóricos, mas na hora de fazer o sacrifício de qualidade com 13. Txc3! que jurava que ia fazer, dado o jogo agressivo que é comum do Cohen, ele joga 13.Cc4, que não chega a interrogar, mas não é a mesma coisa. No mais, a partida continuou com umas confusões tática no centro-ala da dama, mas que terminou em empate.
Duas partidas em que as negras jogam Txc3:
http://www.chessgames.com/perl/chessgame?gid=1287630
http://www.chessgames.com/perl/chessgame?gid=1546674
Ainda primeira rodada.
Outra partida que vale à pena comentar, principalmente devido ao interesse prático, foi o jogo Andrey - Aldo.
A partida foi uma abertura estranha, que eu não sei nem o nome, que começa com 1.Cc3?! Esse começo tem o mérito de eliminar toda a preparação de aberturas do adversário. Aldo tentou transpor pra uma defesa francesa com 1.e6, mas não jogou o 2.d5, não sei porque. Em vez disso, entregou o par de bispos sem motivo, com a manobra 2.Bb4? e 3.Bxc3? O resultado dessa concessão foi que o jogador de Manaus, apesar de não ter um peão no centro tabuleiro, já no lance 9, com Bh3, já possuía um grande domínio do centro devido ao par de bispos. Logo as brancas ganharam um peão e a posição foi ficando complicada para as negras.
Aldo buscou contrajogo através da manobra 15.Dc7 - 16.Cxc7 - 18.b5! buscando ativar o cavalo. Foi uma idéia interessante, que quase deu certo na partida, só que eu preferiria não trocar as damas, já que as negras estão inferiores e buscar um jogo complicado com 15.Da5/ 16.Bc1 - 0-0-0.
A partida seguiu um final bem complicado, que parece que as brancas não conseguiram jogar os melhores lances, apesar de terem sempre a vantagem.
O interessante é ver aqui no Rybka ( assim é fácil rsrsrs) que no lance 40. das negras, se elas tivessem jogado 40. Cd4 + em vez de 40 Ce1, teriam igualado totalmente a partida.
Mas, o ponto que realmente me chamou a atenção no jogo foi o fator: pressão do tempo.
O Aldo, ali por volta do lance 33, tinha 20 min no relógio, enquanto que o Andrey, menos de 2min!
E não é que o que parecia incrível aconteceu: o jogador de Manaus, que está acostumado a situações assim, jogou de forma incrivelmente veloz, fazendo lances fortes, enquanto que o Aldo, que não é um bom jogador em situações de apuro de tempo, se deixou inverter no relógio, perdendo pelo tempo!!!!
Essas duas partidas da primeira rodada ilustram uma coisa que eu percebi na prática já faz algum tempo: no jogo de torneios, existem mais fatores que influenciam numa partida do que o preto e branco das jogadas... muito mais. Questões como: sangue frio, tenacidade, etc,etc, às vezes podem ser determinante para se jogar um bom xadrez em torneios assim, mais do que a pura preparação teórica.
A partida foi uma abertura estranha, que eu não sei nem o nome, que começa com 1.Cc3?! Esse começo tem o mérito de eliminar toda a preparação de aberturas do adversário. Aldo tentou transpor pra uma defesa francesa com 1.e6, mas não jogou o 2.d5, não sei porque. Em vez disso, entregou o par de bispos sem motivo, com a manobra 2.Bb4? e 3.Bxc3? O resultado dessa concessão foi que o jogador de Manaus, apesar de não ter um peão no centro tabuleiro, já no lance 9, com Bh3, já possuía um grande domínio do centro devido ao par de bispos. Logo as brancas ganharam um peão e a posição foi ficando complicada para as negras.
Aldo buscou contrajogo através da manobra 15.Dc7 - 16.Cxc7 - 18.b5! buscando ativar o cavalo. Foi uma idéia interessante, que quase deu certo na partida, só que eu preferiria não trocar as damas, já que as negras estão inferiores e buscar um jogo complicado com 15.Da5/ 16.Bc1 - 0-0-0.
A partida seguiu um final bem complicado, que parece que as brancas não conseguiram jogar os melhores lances, apesar de terem sempre a vantagem.
O interessante é ver aqui no Rybka ( assim é fácil rsrsrs) que no lance 40. das negras, se elas tivessem jogado 40. Cd4 + em vez de 40 Ce1, teriam igualado totalmente a partida.
Mas, o ponto que realmente me chamou a atenção no jogo foi o fator: pressão do tempo.
O Aldo, ali por volta do lance 33, tinha 20 min no relógio, enquanto que o Andrey, menos de 2min!
E não é que o que parecia incrível aconteceu: o jogador de Manaus, que está acostumado a situações assim, jogou de forma incrivelmente veloz, fazendo lances fortes, enquanto que o Aldo, que não é um bom jogador em situações de apuro de tempo, se deixou inverter no relógio, perdendo pelo tempo!!!!
Essas duas partidas da primeira rodada ilustram uma coisa que eu percebi na prática já faz algum tempo: no jogo de torneios, existem mais fatores que influenciam numa partida do que o preto e branco das jogadas... muito mais. Questões como: sangue frio, tenacidade, etc,etc, às vezes podem ser determinante para se jogar um bom xadrez em torneios assim, mais do que a pura preparação teórica.
terça-feira, 4 de janeiro de 2011
Aberto do Pará: parte 1
Olá pessoal que gosta de ouvir notícias sobre o xadrez no estado do Pará =)
Vou começar uma série de posts sobre um dos principais eventos que ocorrerram aqui em Belém no ano que terminou (2010). A idéia é falar um pouco, pra não se tornar cansativo, sobre as principais partidas foram disputadas no Aberto do Pará 2010, que aconteceu no Hotel Regente.
A primeira partida interessante que ocorreu foi Carmona x Léo ( apesar de no site oficial constar que o Léo tá de brancas, que eu me lembre, era o contrário - me corrijam se não for realmente isso!
Bem, a partida foi uma defesa francesa, umas das defesas favoritas do Léo. Logo as brancas jogaram o lance que foge da teoria convencional: 4.Dg4?! .Geralmente, na variante do avanço da defesa francesa ( 3. e5 ) as brancas procuram jogar lances como c3, Cf3, Be2, Ca3 e Cc2, tudo visando defender o peão de d4, que irá se tornar fraco após cxd4, e conseguir alguma vantagem devido ao seu maior espaço territorial no tabuleiro - ou seja, os peões de d4 e e5.
As negras resolveram então provar que o lance 6. Bd3 das brancas tinha sido uma perda de tempo, então jogaram 6.c4? adotando uma estratégia que eu considero errada pra essa partida. Como falamos a idéia nessa variante é pressionar o centro através de cxd4,etc, podendo até rocar grande depois - só jogando Rb8 pra tirar o rei da coluna c.
Entretanto, o plano negro de fechar o centro e iniciar um jogo de ataque em lados opostos seria bastante razoável se não fosse o inesperado 10. Bxc4! das brancas - as negras não podem tomar o bispo devido ao xeque em d6 e ao duplo em f7. Léo usa então de vários recursos para tornar o jogo mais dinâmico, como h5 e f6! sacrificando um peão pra abrir linhas. O jogo então continua, mas sempre as brancas possuem uma leve vantagem.
O ponto culminante da partida, foi no lance 34 em que as brancas deveriam ter jogado 34.Rb2! com grande vantagem, só que se precipitaram e jogaram 34. Tc2?? permitindo às negras encontrar o recurso salvador Da3! É verdade que ainda havia a possibilidade das brancas jogarem agora 35. Dc4, mantendo a vantagem, mas devido à fatores como o tempo e a pressão, elas jogaram 35.Rb1?? que permitiu as negras igualarem com a manobra de xeque perpétuo em f1 e ameaça de mate em a2.
Uma excelente partida que mostra que mesmo em situações difíceis é possível ir sempre criando problemas ao adversário, seja na posição, seja pressionando no relógio, etc.
Vou começar uma série de posts sobre um dos principais eventos que ocorrerram aqui em Belém no ano que terminou (2010). A idéia é falar um pouco, pra não se tornar cansativo, sobre as principais partidas foram disputadas no Aberto do Pará 2010, que aconteceu no Hotel Regente.
A primeira partida interessante que ocorreu foi Carmona x Léo ( apesar de no site oficial constar que o Léo tá de brancas, que eu me lembre, era o contrário - me corrijam se não for realmente isso!
Bem, a partida foi uma defesa francesa, umas das defesas favoritas do Léo. Logo as brancas jogaram o lance que foge da teoria convencional: 4.Dg4?! .Geralmente, na variante do avanço da defesa francesa ( 3. e5 ) as brancas procuram jogar lances como c3, Cf3, Be2, Ca3 e Cc2, tudo visando defender o peão de d4, que irá se tornar fraco após cxd4, e conseguir alguma vantagem devido ao seu maior espaço territorial no tabuleiro - ou seja, os peões de d4 e e5.
As negras resolveram então provar que o lance 6. Bd3 das brancas tinha sido uma perda de tempo, então jogaram 6.c4? adotando uma estratégia que eu considero errada pra essa partida. Como falamos a idéia nessa variante é pressionar o centro através de cxd4,etc, podendo até rocar grande depois - só jogando Rb8 pra tirar o rei da coluna c.
Entretanto, o plano negro de fechar o centro e iniciar um jogo de ataque em lados opostos seria bastante razoável se não fosse o inesperado 10. Bxc4! das brancas - as negras não podem tomar o bispo devido ao xeque em d6 e ao duplo em f7. Léo usa então de vários recursos para tornar o jogo mais dinâmico, como h5 e f6! sacrificando um peão pra abrir linhas. O jogo então continua, mas sempre as brancas possuem uma leve vantagem.
O ponto culminante da partida, foi no lance 34 em que as brancas deveriam ter jogado 34.Rb2! com grande vantagem, só que se precipitaram e jogaram 34. Tc2?? permitindo às negras encontrar o recurso salvador Da3! É verdade que ainda havia a possibilidade das brancas jogarem agora 35. Dc4, mantendo a vantagem, mas devido à fatores como o tempo e a pressão, elas jogaram 35.Rb1?? que permitiu as negras igualarem com a manobra de xeque perpétuo em f1 e ameaça de mate em a2.
Uma excelente partida que mostra que mesmo em situações difíceis é possível ir sempre criando problemas ao adversário, seja na posição, seja pressionando no relógio, etc.
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