segunda-feira, 2 de maio de 2011

Jups-final: Guerra relâmpago "blitzkrieg" na abertura inglesa.

Oi pessoal,

Está disponível no site da FEXPA no diretório "base de partidas Pará" todas as partidas jogadas no JUPS desse ano.

Ocorreu uma abertura Inglesa interessante na primeira rodada entre Gleydson Santos da UFPA contra André Vasconcelos, também da UFPA.


A partida se desenrolou com uma formação bem sólida escolhida pelas negras, a saber: cavalos em c6 e d7, bispo preto fianquetado (em g7), peões em c5-d6-e6.

O bispo da dama ainda não está desenvolvido mas ele pode ser facilmente colocado em b7 depois de b6 (é só tomar cuidado para evitar algum golpe tático em decorrência da abertura da diagonal h1-a8 ), ou via e5, Be6, planejando atacar o centro com f5, com esse último plano a casa d5 ficaria fraca, é verdade, porém o centro estaria melhor ocupado, as negras terminariam o seu desenvolvimento e as brancas também têm uma debilidade em d4.

Porém, as negras jogaram 9.f5? que considero um pouco precipitado.

Possíveis lances bons seriam:

-9.Te8 ( afim de responder Bh6 com Bh8! evitando trocar o bispo de g7 e enfraquecer as casas negras.
-9.e5 ou 9.b6 como havia dito
-9.Bd7 não chega a ser ruim, entretanto não acho que a casa d7 seja a melhor pra se colocar o bispo nessa variante, não há um plano de longo prazo como acontece com 9.e5 (jogar f5-f4 dependendo de como as brancas joguem e tentar um ataque na ala do rei) ou 9.b6 ( jogar Bb7 esperando fazer oposição ao bispo branco de g2, terminar o desenvolvimento e esperar igualar o jogo no centro com f5, pressionando e4).

Depois de 9.f5? negro, as brancas continuaram seu plano de enfraquecer as casas negras das brancas para tentar um ataque com 10.Bh6!

De qualquer forma, a partir daí o bispo preto ia ser capturado de qualquer maneira, a não ser que as negras sacrificassem a qualidade, o que não teria cabimento nessa posição. O que não deu para entender foi a captura em g7 com a torre, deslocando essa importante peça pesada da coluna f, que pode ser aberta a qualquer momento e colocando na frente do peão de g6! A torre está completamente inútil ali é um "peão grande".

As brancas então, inteligentemente continuam seu ataque com o astuto 12.h4! lance que me lembrou duas partidas que a seguir posto no blog. Avançar o peão da torre do rei foi um lance muito esperto, já que, como as brancas ainda não rocaram, elas ameaçam realizar um ataque relâmpago ("blitzkrieg") sem dar tempo das negras respirarem! Imagine só, você de pretas, vendo seu adversário chegar com a possibilidade de um ataque com a torre, Dama, e cavalo em cima de seu rei indefeso... é assustador.

Talvez, por isso mesmo, as negras realizaram o nervoso 12.h5? que, posicionalmente, considero o lance que fecha o caixão negro. Por que digo isso? Simples: muitas casas débeis: f4-g5-h6-f6... E o pior: a possibilidade das brancas explorarem tudo isso. A verdade é que, uma posição 8 vezes melhor do que essas para as pretas, já seria o suficiente para um GM destroçá-las mesmo assim ( tô sendo dramático, mas é por aí =P )

Alguns lances a mais continuaram: o bando preto continou com sua série de erros, dessa vez deslocando sua Rainha para a ala da dama (13.Db6?) quando era necessário que ela vigiasse a fraquíssima ala do seu Rei ( pelo menos deixa ela vigiando a diagonal h4-d8, pô!).

Enfim, o último erro negro foi tomar o peão de f5 com o peão do rei (14.exf5) isso com certeza, das três opções que haviam pra recaptura, essa foi a pior. A "menos pior seria retomar com o cavalo, porém as brancas teriam jogo livre na ala da dama, com Tb1-b4 e/ou ala do rei, jogando pelas casas negras débeis.

O arremate final ensina mais uma lição: "Crianças, não capturem o peão de b2 com a Dama na abertura!". Essa é mais uma lição básica por um motivo muito simples: tira totalmente a Dama do jogo. A luta está se desenvolvendo na ala do rei, não é?

Por fim, o arremate final que começou com 20.Cxh5, aproveitando o tema do bispo forte em d5 e uma torre prejudica seu próprio rei em g7, as brancas conseguiram penetrar de vez na posição inimiga com 23 Df8+

Curiosidade histórica - o significado do termo blitzkrieg: http://pt.wikipedia.org/wiki/Blitzkrieg





Em seguida, para quem quiser ver mais linhas que jogam na mesma idéia da guerra relâmpago h4, vão duas partidas bem interessantes de dar uma olhada.

A primeira, quem está de brancas é nada mais nada menos que Vladimir Kramnik. O russo usa essa idéia e elimina um GM holandês de 2700 em poucos lances, claro que o fator surpresa deve ter contado aí, mas o fato é que o contra-jogo negro em c3 não foi suficiente fazer frente ao ataque branco na ala do rei, percebam que o rei de Kramnik ficou muito bem colocado em f1!

Kramnik x L´ami:

http://www.chessgames.com/perl/chessgame?gid=1604521


Na segunda partida, quem tenta o ataque ultra-rápido é um prodígo holandês (me parece) Nils Grandelius, que se tornou GM antes dos 15 anos .
Entretanto, diferentemente do grande-mestre russo Vladimir ("Volódia" para os intímos) Kramnik, as brancas não tiveram êxito no seu ataque. Porém temos que reconhecer que as negras jogaram muito bem mesmo, vamos falar alguma coisa resumidamente:

8.h6! Um lance de profilaxia, que intenta responder um possível h5 com g5. Mantendo a coluna h fechada.

9. 0-0! Convidando as brancas a ganharem um peão, porém abrindo mão do bispo de g2, o que enfraqueceria bastante suas casas brancas.

13.e4! que junto com 14.Cd4! geram um ataque provavelmente impossível de ser defendido.

Grandelius x Bok

http://www.chessgames.com/perl/chessgame?gid=1569877


Abraço.