quarta-feira, 7 de setembro de 2011
5ª rodada
Na última rodada a primeira mesa viu uma variante muito aguda da siciliana "quase" aparecer. Digo quase porque de fato ela não ocorreu. O Euclides jogou 5.Cd2? não dando oportunidade de ser jogado 5.Bb4!?, o que daria ensejo a uma variante extremamente aguda ( perguntem ao Cohen algumas linhas dessa variante, ela é muito longa e esse post ficaria muito extenso analisasse ela aqui =) ). O pior lance mesmo das brancas foi 6.C4b3? que entrega todo o centro de mão beijada. Melhor seria 6.Cxc6-bxc6/7.Bd3, mantendo o peão de e4 do centro. Existem várias partidas nessa linha no chesslab.com
Então, depois de 12.h5! as brancas não puderam rocar devido à ameaça h3-h2 ganhando o bispo. Com o rei no centro Léo mobilizou suas peças e arrematou o jogo com 17.Txe1!
Cohen x Patrick
Dessa vez o Cohen conseguiu ganhar através da formação de um peão passado em d5. Antes disso as brancas trocaram o par de bispos por um centro de peões. O jogo ficou mais ou menos igual até quando as brancas optaram por 23.Ca7?! em vez de 23.Cc7 ( em c7 o cavalo poderia ir para e6). Quando as brancas jogaram 24.Cc6, não havia necessidade alguma de tomar o cavalo, o melhor era ter jogado Dc7 (=0.00 Rybka) ou Dg5, tentando um contrajogo na ala do rei. Depois Bxc6 as brancas conseguiram montar um ataque ganhador em direção ao rei negro.
Maikon x Rodrigo
Consegui ficar em 3º jogando uma partida aberta de negras com o Maikon. Logo na abertura, percebi (ou me lembrei) que 4.Cc3 é um erro, que dá ensejo a 4.Cxe4! e a iniciativa passa direto para as negras. Me lembrei que vi isso no velho e bom livro do Idel Becker. Acredito que 9.d4 foi um erro, já que fixa o peão d numa casa atacada pelo cavalo, claro que pode ser defendido com Ce2 e c3, mas tudo isso demanda tempo, além disso, 4.d3 combate o centro negro. Depois que eu roquei "na marra" (Rf7-Te8-Tf8-h6-Rg8), o jogo ficou um pouco igual, só que "do nada" percebi que Ce2 permitia Bg4 e o meu cavalo poderia ir de e7 para f5, com possíveis ameaças. Quando o Maikon jogou 19.Be5, percebi que poderia jogar 19.Ch4, com um ataque ganhador ao rei negro.
Zonal Pará: 4ª rodada.
A única derrota do campeão do torneio veio em uma índia do rei na qual as negras optaram pelas linhas com Bg4. Cohen idealizou um bom plano pela ala da dama, no entanto, ele mesmo se colocou em complicações táticas desnecessárias colocando sua dama em d4 (17.Dd4, em vez de 17.Dd3). a vantagem branca segue evidente, porém colocar a dama na mesma diabonal do bispo negro animam as negras à um contra-jogo. 27.Tca1 permite Dg4,e por isso que o Rybka indica como melhor 27.Ce3, só que depois de 27.dxe5/28.Cxe5-Bh6 o jogo fica bem complexo. Depois de Dg4 as negras acabam obtendo uma vantagem decisiva e envolvendo o adversário numa rede de mate.
Lúcio x Léo
Aqui as brancas tentaram um ataque superagudo e rápido na defesa francesa, o que geralmente não gera bons resultados. A linha principal é 5.a3, mas 5.Bd2 também é interessante, o lance equivocado mesmo foi 8.Bd3, entregando o centro (melhor seria 8.c3 ou 8.f4.
Sem pressa, as negras foram se desenvolvendo. 11.g4 também foi um lance prematuro, não dá pra atacar com o cavalo e a torre do rei não desenvolvidas! 11.f6! finaliza estrategicamente o jogo, eliminando o fraco cavalo em d6 e dando as negras amplo contra-jogo pela coluna f.
Patrick x Maikon
De novo, tivemos o exemplo de nunca desistir e sempre procurar o empate até o último momento!! Nessa partida de peão dama, as brancas jogaram tentando passar o peão-d, fato que foi eficientemente bloqueado pelas negras. O lance das negras foi 40.fxg4! que é ganhador. É verdade que 42.Td1 (em vez de 42.h2) arremataria o jogo para as negras, mas mesmo assim elas continuavam ganhas... até o lance 56. h4?? ganhador era 56.g2+ que coroava com xeque! depois disso o Patrick achou 60. Tg2 que empata.
Zonal Pará: 3ª rodada.
Léo x Cohen
O confronto decisivo do Zonal Pará 2011 viu uma índia da dama com 4.Ba6, provocando 4.b3-Bb4+/5.Bd2-Be7! que pode parecer estranho, já que "não se deve mexer duas vezes com a mesma peça na abertura", porém sempre existem exceções à regras. Nesse caso, a idéia seria privar das brancas da melhor colocação da suas peças, já que com b3 jogado o melhor seria paras as brancas desenvolverem o BD via b2 e o cavalo via d2.
No entanto, as brancas jogaram Dc2 e Cbd2, oque é bom, o que não achei muito produtivo pras brancas foi 9.e3, acho que o melhor nessas posições é deixar a casa e3 livre para alguma peça. Jogaria alguma coisa como 9.dxc5, ou 9.a3 aí. Depois de 16.d5! a iniciativa passa de vez para as mãos das negras. O lance da partida veio logo em seguida: com o intermediário 17.Ce4! as negras conseguem iniciativa decisiva na coluna d.
Jair Magave x Patrick Albuquerque
Vimos de novo "a abertura patrick"rsrs, que é aquela tem a conformação de peões d6-e6, igual a da variante scheveningen da siciliana. As brancas conseguiram uma boa vantagem, até no momento crítico jogaram 31.Dc6 em vez de 31.b5!- Dxd5/ 32.Bc4-Dd2 /33. Ta8-Dc1+/34.Bf1!-Dc8 e as brancas continuam com a iniciativa. Ao invés disso foi jogado 31.Dc6? e depois de 31.Dxb4, a posição branca ficou muito "cheia de buracos."
Álvaro David x Aldo Tavares
Essa partida foi esquisita, as brancas perderam a chance de arrematar a partida logo no lance 9! Aldo jogou o péssimo 9.g6?? que dá ensejo à 9.Cxc6-bxc6/10.e5!
Porém nada disso foi jogado, mas eles não deixaram de ficar sempre ganha, até "quase" no final, já que o Álvaro tinha vários peões passados. Mas... não sei quem foi o espirituoso jogador (Tartakower, Bronstein ou Boguliobov) disse que "não se ganha (nem se empata, acrescendo) uma partida abandonando-a". Foi o que o Aldo fez até o último momento. Esperou até que as brancas fizeram o erro final de jogar 50.e5?? e depois de 50.Rb4! a posição é empate!
Zonal - Etapa Pará: 2ª rodada
Rodrigo Chaves x Paulo Cohen
Joguei mais uma partida com meu carrasco de sempre. Dessa vez tentei uma uma inglesa que nem eu sabia direito como se jogava... mas tudo bem. A conformação das minhas peças, com d3-Bd2-Tc1-a3-Ca4 foi muito tímida. Os melhores planos dessa variante são com b4-b5 direto (às vezes sem necessidade de jogar d3... o que dá origem a muita confusão na abertura), outra coisa importante: jogando 7.d3 prematuramente ao invés de 7.0-0, não tive a oportunidade de jogar 7.Be7/8.d4! aonde as brancas já estão consideravelmente melhores. Com 11.Dd7, me vi gostando da idéia de 12.Ca4 ( e o Cohen sabia disso) porém não imaginava que 12.e4! geraria tantas confusões no meio-jogo. Consegui me defender bem até eu fazer 28.De4? (melhor era 28.Td1, com uma posição totalmente igual), e 29.Dxb7?? que foi muito otimista...
Aldo Tavares x Leonardo Eleutério
Vimos aqui mais uma Bogoíndia do Léo, no qual as brancas até que não corriam muito perigo, mesmo depois de haverem perdido um peão em decorrência de uma série de lances forçados na abertura. Principalmente depois de 20.e5 das negras ( acredito que era melhor 20.a5) que dá muitas casas paras as brancas:d5-e6 e c6. As negras tentaram complicar o jogo com 26.g5,no que o Aldo deveria ter jogado Cb5, trazendo o cavalo devolta para o jogo, so que ao invés disso as brancas jogaram 26.c5? na falsa idéia que o peão-b fosse ameaçador. As negras arremataram o jogo com Te8-Te1+ e Tf2+.
Patrick Albuquerque x Euclides Teixeira
Foi jogado uma índia do rei, sendo que as brancas não conseguiram muita coisa, tanto que pode se dizer que se as brancas não tivessem jogado 29.g4?? o jogo caminharia para um empate.
Zonal - Etapa Pará: 1ª rodada.
Depois de milênios sem postar nada, eis-me aqui tentando colocar um entretenimento a mais no cenário enxadrístico paraense. Vamos lá tecer alguns comentários sobre o Zonal Pará disputado no Colégio Logos em Ananindeua, nos mês de julho.
Quem ganhou foi o melhor jogador paraense em atividade na atualidade (na minha opinião) Paulo Cohen, vulgo "cotonete" =). Em segundo ficou o Léo, que sempre joga bem, e em terceiro, eu, que não ando jogando bem, mas considerei um bom resultado o terceiro lugar.
Sem mais delongas, vamos à análises de algumas partidas:
1ª rodada:
Lúcio Miranda x Rodrigo Chaves
Bom, o Lúcio (meu algoz no Regional Norte, mas isso fica para posts futuros..) jogou 1.e4, no que eu parti para a defesa siciliana com Cc6, só que aí as brancas jogaram 3.d3?! que é um lance totalmente fora de contexto, mas jogável. A idéia quando se joga d3 na defesa siciliana é jogar uma índia do rei em cores invertidas, com a idéia de Cc3-d3-Cge2-g3-Bg2-etc. Com planos de jogar f4 e empreender um ataque na ala do rei.
Então, 3.d3 com o bispo em e2 e o cavalo em f3 não é a melhor disposição de peças para as brancas. O bispo branco em e2 atrapalha a passagem da Dama e isso fica claro em muitas variantes no futuro.
Eu, por meu lado, fui desenvolvendo as peças de maneira um pouco tímida (poderia ter jogado 3.e5 em vez de 3.d6), sendo que fiquei um pouco em dúvida se o certo seria jogar 8.e5 ou 8.d5, optei pela primeira opção porque me lembrava a estrutura de peões da ruy lopez, abertura que gostava de jogar com as negras.
Entretando o ataque branco parecia bastante ameaçador e depois de 14.f5 as brancas estavam um pouco melhores. Tentei me defender como pude, e com 15.Rh8! induzi Lúcio ao erro (já que ele é um jogador que gosta de atacar a qualquer custo). Depois de 16.f6? a vantagem branca se esvai e a iniciativa passa para as negras.
Leonardo Eleutério x Jair Magave
Na segunda mesa foi jogada uma defesa escandinava (1.e4-d5). As negras cometeram dois erros fundamentais: 1º "Não exponha sua Dama na abertura!" e 2º "Não exponha seu rei no centro!" Sendo assim, 9.Df5? e 10.Dc2? Foi muito otimista. Léo jogou bem e achou uns lances bons. O Rybka dava 3.21 para as brancas, quando elas jogaram 20. Td1?? que joga fora todo jogo. No entanto, a Dama negra continua muito mal colocada e isso confundiu o Jair. Com 23.e4/ 24.Tb1-Dxa2/25.Dxd4-Dxa4, por exemplo, as negras ficariam melhores. Outro erro fundamental foi 26.e3?? , com 26.Cf6/27.Tfe1-b5! as negras continuam ganhas. Depois de 26.e3?? as brancas voltam a ficar ganhas.
Álvaro David x Patrick Albuquerque
Na abertura típica do Patrick, as brancas estavam jogando muito bem, até quando quiseram atacar de qualquer jeito com o prematuro 11.De4 em vez do melhor 11.Ce4 (desenvolva primeiro suas peças e não exponha sua Dama na abertura!). As brancas mantiveram sua intenção de dar mate a qualquer custo com 12.h4?? e depois de 12.Cc5 e 13.Cf4 das negras, the game is over.
terça-feira, 21 de junho de 2011
Lambanças de Páscoa.

Oi pessoal,
Depois de muito, muito tempo sem postar, vamos aí colocar algumas análises em relação ao torneio da Páscoa, realizado no feriadão do mês de abril.
Então, vamos lá. A primeira partida que coloco vai ser uma minha, para variar rsrs, e que justifica o título deste post (lambanças...).
Joguei, na segunda rodada, de pretas, contra o Paulo Henrique, que não é o Ganso, mas é o de Icoaraci.
Jogamos 1.d4-Cf6/2.c4-d5?! E aí eu poderia ter jogado: 3.cxd5! - Cxd5 / 4.e4 - Cf6/ 5.Cc3, só que, fiquei incomodado com o lance 5.e5! que geraria um jogo bastante tático.
Por isso, joguei o lance "profissional", "sólido", e, mais fraco: 3.Cf3? (evitando complicações (leia-se: e5) porém evitando também ganhar uma vantagem imediata... Foi um lance meio filosófico, que tem a ver com a minha personalidade e com o meu estado de ânimo pra jogar essa partida. O fato é que esse tipo de jogada tem raízes psicológicas e não táticas ou técnicas.
Dito isso, de repente me vi jogando uma defesa Grunfeld misturada com uma defesa eslava (4.c6), fato esse que me atrapalhou um pouco... já fiquei confuso no terceiro lance ("jogo ou não jogo cxd5?") e agora, 3.g6 misturado com 4.c6 foi um pouco estranho pra min...
Na prática da internet (relâmpago) ou em amistosos eu não ligaria para esses detalhes de aberturas, mas como estou tentando levar o xadrez em competições de 1hora Ko pra cima mais à sério, de modo que todas essas sutilezas de pensamento são extremamente importantes no desenrolar da partida. Mas, também, tenho que ver que levar em consideração todas essas nuances é mais útil em torneios com o nível mais elevado...
Bom, continuando, até que não fui mal na abertura, na verdade, consegui uma boa vantagem já depois do lance 11, porém, caí em um problema crucial para qualquer jogador de xadrez: a falta de um plano definido.
As pretas jogaram 12.f6 e agora? Movo o bispo pra h4, mantendo o peão-f cravado ou permaneço com o bispo na diagonal c1-h6 com o intuito de um posterior Dd2-Bh6-Bxg7, trocando o bispo do roque negro e facilitando um possível ataque na ala do rei?
Joguei a primeira opção: 13.Bh4? e comecei a entrar em um plano totalmente errado, mas era um plano: joguei 15.a4? seguido de 16.d5, com o objetivo de criar um poderoso peão passado.
Eu consegui criar um peão passado, mas ele não foi nada poderoso. O peão estava "mal passado" hehe. Se não fosse por "um detalhe" tático (mate na primeira fileira, só isso...), teria conseguido dar certo a minha combinação iniciada no lance 28. Cxe5?! , porém, Cxe5 foi um lance baseado em esperar que as negras fizessem os piores lances. Coisa que não aconteceu. O simples 31. Rf6! resolveu o problema.
Depois disso, já estava apurado no tempo, ( 1 hora KO tá sendo pouco tempo pra min..) e busquei pelo menos o empate, trocando todos os peões, tal fato aconteceu, porém, outro erro psicológico aconteceu: mesmo com o tempo apuradíssimo, tentei ganhar. Sim ganhar, já que o Paulo Henrique começou a errar e eu consegui três peões pelo bispo. Evitei repetir lances , e, acabei errando. Caí em um final de Rei-Torre-bispo contra Rei e Torre, em uma posição horrível, de mate.
Resumo: Dois ou três erros psicológicos + falta de um plano definido, mesmo em uma posição superior + erro no julgamento correto da posição = lambanças de páscoa!
segunda-feira, 2 de maio de 2011
Jups-final: Guerra relâmpago "blitzkrieg" na abertura inglesa.
Está disponível no site da FEXPA no diretório "base de partidas Pará" todas as partidas jogadas no JUPS desse ano.
Ocorreu uma abertura Inglesa interessante na primeira rodada entre Gleydson Santos da UFPA contra André Vasconcelos, também da UFPA.
A partida se desenrolou com uma formação bem sólida escolhida pelas negras, a saber: cavalos em c6 e d7, bispo preto fianquetado (em g7), peões em c5-d6-e6.
O bispo da dama ainda não está desenvolvido mas ele pode ser facilmente colocado em b7 depois de b6 (é só tomar cuidado para evitar algum golpe tático em decorrência da abertura da diagonal h1-a8 ), ou via e5, Be6, planejando atacar o centro com f5, com esse último plano a casa d5 ficaria fraca, é verdade, porém o centro estaria melhor ocupado, as negras terminariam o seu desenvolvimento e as brancas também têm uma debilidade em d4.
Porém, as negras jogaram 9.f5? que considero um pouco precipitado.
Possíveis lances bons seriam:
-9.Te8 ( afim de responder Bh6 com Bh8! evitando trocar o bispo de g7 e enfraquecer as casas negras.
-9.e5 ou 9.b6 como havia dito
-9.Bd7 não chega a ser ruim, entretanto não acho que a casa d7 seja a melhor pra se colocar o bispo nessa variante, não há um plano de longo prazo como acontece com 9.e5 (jogar f5-f4 dependendo de como as brancas joguem e tentar um ataque na ala do rei) ou 9.b6 ( jogar Bb7 esperando fazer oposição ao bispo branco de g2, terminar o desenvolvimento e esperar igualar o jogo no centro com f5, pressionando e4).
Depois de 9.f5? negro, as brancas continuaram seu plano de enfraquecer as casas negras das brancas para tentar um ataque com 10.Bh6!
De qualquer forma, a partir daí o bispo preto ia ser capturado de qualquer maneira, a não ser que as negras sacrificassem a qualidade, o que não teria cabimento nessa posição. O que não deu para entender foi a captura em g7 com a torre, deslocando essa importante peça pesada da coluna f, que pode ser aberta a qualquer momento e colocando na frente do peão de g6! A torre está completamente inútil ali é um "peão grande".
As brancas então, inteligentemente continuam seu ataque com o astuto 12.h4! lance que me lembrou duas partidas que a seguir posto no blog. Avançar o peão da torre do rei foi um lance muito esperto, já que, como as brancas ainda não rocaram, elas ameaçam realizar um ataque relâmpago ("blitzkrieg") sem dar tempo das negras respirarem! Imagine só, você de pretas, vendo seu adversário chegar com a possibilidade de um ataque com a torre, Dama, e cavalo em cima de seu rei indefeso... é assustador.
Talvez, por isso mesmo, as negras realizaram o nervoso 12.h5? que, posicionalmente, considero o lance que fecha o caixão negro. Por que digo isso? Simples: muitas casas débeis: f4-g5-h6-f6... E o pior: a possibilidade das brancas explorarem tudo isso. A verdade é que, uma posição 8 vezes melhor do que essas para as pretas, já seria o suficiente para um GM destroçá-las mesmo assim ( tô sendo dramático, mas é por aí =P )
Alguns lances a mais continuaram: o bando preto continou com sua série de erros, dessa vez deslocando sua Rainha para a ala da dama (13.Db6?) quando era necessário que ela vigiasse a fraquíssima ala do seu Rei ( pelo menos deixa ela vigiando a diagonal h4-d8, pô!).
Enfim, o último erro negro foi tomar o peão de f5 com o peão do rei (14.exf5) isso com certeza, das três opções que haviam pra recaptura, essa foi a pior. A "menos pior seria retomar com o cavalo, porém as brancas teriam jogo livre na ala da dama, com Tb1-b4 e/ou ala do rei, jogando pelas casas negras débeis.
O arremate final ensina mais uma lição: "Crianças, não capturem o peão de b2 com a Dama na abertura!". Essa é mais uma lição básica por um motivo muito simples: tira totalmente a Dama do jogo. A luta está se desenvolvendo na ala do rei, não é?
Por fim, o arremate final que começou com 20.Cxh5, aproveitando o tema do bispo forte em d5 e uma torre prejudica seu próprio rei em g7, as brancas conseguiram penetrar de vez na posição inimiga com 23 Df8+
Curiosidade histórica - o significado do termo blitzkrieg: http://pt.wikipedia.org/wiki/Blitzkrieg
Em seguida, para quem quiser ver mais linhas que jogam na mesma idéia da guerra relâmpago h4, vão duas partidas bem interessantes de dar uma olhada.
A primeira, quem está de brancas é nada mais nada menos que Vladimir Kramnik. O russo usa essa idéia e elimina um GM holandês de 2700 em poucos lances, claro que o fator surpresa deve ter contado aí, mas o fato é que o contra-jogo negro em c3 não foi suficiente fazer frente ao ataque branco na ala do rei, percebam que o rei de Kramnik ficou muito bem colocado em f1!
Kramnik x L´ami:
http://www.chessgames.com/perl/chessgame?gid=1604521
Na segunda partida, quem tenta o ataque ultra-rápido é um prodígo holandês (me parece) Nils Grandelius, que se tornou GM antes dos 15 anos .
Entretanto, diferentemente do grande-mestre russo Vladimir ("Volódia" para os intímos) Kramnik, as brancas não tiveram êxito no seu ataque. Porém temos que reconhecer que as negras jogaram muito bem mesmo, vamos falar alguma coisa resumidamente:
8.h6! Um lance de profilaxia, que intenta responder um possível h5 com g5. Mantendo a coluna h fechada.
9. 0-0! Convidando as brancas a ganharem um peão, porém abrindo mão do bispo de g2, o que enfraqueceria bastante suas casas brancas.
13.e4! que junto com 14.Cd4! geram um ataque provavelmente impossível de ser defendido.
Grandelius x Bok
http://www.chessgames.com/perl/chessgame?gid=1569877
Abraço.
segunda-feira, 18 de abril de 2011
Jogos Universitários da Liga de Xadrez do Pará.

A FEUP ( Federação de Esportos Universitários do Pará ) promoveu nos dias 16 e 17 de abril os jogos universitários paraenses (JUPS). O evento aconteceu na Escola Superior de Educação Física, na João Paulo II.
O autor desse blog ganhou o torneio, \o/ , e, até mudar o nome do blog de novo pra uma coisa menos pretensiosa do que xadrez no Pará - tô pensando em colocar "blog do rodrigo chaves" - vou esperar sair as partidas no site da FEXPA e colocá-las todas aqui no blog, no mais, posso colocar uma aqui que achei interessante.
Joguei de pretas contra o Gleydison, calouro de engenharia mecânica da ufpa e pupilo do Clauber na arbitragem, hehehe. Bem, a partida foi interessante porque desde de 6.f4 das brancas eu fiquei refletindo sobre um modo de jogar aquela abertura.
Pensei em jogar um método: g6-Bg7-Cc6 e Bg4, com a idéia de atacar os peões de e5 e d4. Só que essas linhas não ficaram muito claras na minha mente e eu preferi seguir um caminho mais cômodo pra min, com 6.e6.
Porém, não me conformei em jogar sem me precipitar e realizei o fraco lance 9.b5? que foi corretamente respondido pelas brancas com 10. Be4! Me restou sacrificar o peão de d5 a fim de conseguir algum contra-jogo, como foi de fato o que ocorreu na partida. Vale ressaltar que, na minha opinião, se as brancas não tomassem em d5 (15.Dxd5), e procurassem desenvolver as peças, era quase certo que teriam uma posição ganhadora ( não havia pressa em tomar em d5).
Provavelmente eu sacrificaria o peão de qualquer jeito, jogaria d4, mas não sei se adiantaria alguma coisa.
Depois, do meu 16.Cd4, acredito que devido às muitas linhas abertas em cima da posição negra e da falta de desenvolvimento das peças brancas na ala da dama, eu tive tempo suficiente pra pressionar até o erro final com h3.
Ah, tem outra partida que achei interessante ( é, vou mudar o nome desse blog rsrs). Joguei de brancas com o Isaías, estudante da UFPA.
Bom, jogamos uma defesa eslava, e, como as negras realizaram 4.Bf5, pensei na estratégia de pressionar em b7 com a Dama e caso, as negras jogassem 5.Db6 jogaria 6.c5 e jogaria baseado numa "avalanche de peões" na ala da dama, tudo isso foi de fato o que aconteceu na partida.
O interessante é que não considerei os fatores dinâmicos, como diria o moderno conceito da teoria de xadrez. O que quero dizer com isso? Quero dizer que com 14.Rd2?? não tive a percepção tática de que com o meu bispo desprotegido de a6, minha torre desprotegida em a1, a casa fraca em b3, e o meu rei na casa de garfo (d2), ficaria perdido se as negras tivessem jogado 14.Bxc5! já que não posso tomar em c5 porque depois de Cxc5 o cavalo de c5 estaria ameaçando um garfo em b3 e o bispo de a6.
Acontece que as negras não viram isso e jogaram um plano muito lento com 14.Bxb1 e 15.g6. Depois de 17.o-o, eu joguei 18.b5, ficando ganho, as negras tomaram em b5. e eu joguei o intermediário c6! O interessante é que o meu bispo desprotegido de a6 serviu pra apoiar o peão passado de c7, o que era o plano estratégico estático inicial, pena que eu não vi o detalhe dinâmico do sacrifício do bispo em c5.
Assim que eu ver as partidas dos outros colegas que jogaram o JUPS, postá-las-ei =)
Abraço.
domingo, 3 de abril de 2011
Como Paul Morphy pode lhe auxiliar em um torneio?

Como estamos em um período de "entre-safras" de torneios considerados importantes, ou pelo menos com um ritmo de jogo 2 horas KO. Vou passar meu tempo escrevendo alguns artigos aqui e espero que alguns de vocês gostem.
Tive a idéia de falar sobre o enxadrista norte-americano Paul Morphy. Muito pode ser encontrado na internet e em livros sobre a vida conturbada e brilhante desse grande jogador que viveu no século XIX. Por isso mesmo, vou me ater mais à parte prática da coisa, ou seja, relatar como um jogador comum pode tirar proveito da análise das partidas desse grande jogador que viveu à quase 200 anos.
Sim, isso mesmo, duzentos anos! "O xadrez não evoluiu muito de lá pra cá?" Diriam uns. "Essas paritdas prosaicas estão superadas, ninguém mais joga assim." diriam outros. Mas creio que não. Assim como Kramnik - tomada as devidas proporções, lógico - penso que é de fundamental importância para quem quer aumentar seu nível de jogo estudar os grandes jogadores do passado, afim de adquirir cultura enxadrística.
E, sinceramente, os grandes mestres do século XIX são um prato cheio para quem está começando a jogar e quer aprender os principais temas estratégicos e táticos que se usam hoje quase sem pensar - está tudo fazendo parte da abertura , em algumas linhas super forçadas - temas como: bispo mau x cavalo, bispo bom x bispo mau, como explorar um ataque prematuro, etc, podem ser vistas de maneira cristalina em partidas de Lasker, Steinitz, Capablanca , Morphy... entre outros. Antigamente o xadrez científico estava nos seus primórdios e consequentemente as técnicas de defesa também. Então, temas estratégicos como um cavalo muito superior a um bispo bloqueado por seus próprios peões costumavam aparecer com frequência.
Não sei se estou me fazendo entender, mas o que quero dizer é: procurem estudar sujeitos como: Steinitz, Lasker,Capablanca, Morphy, Blackburne, Pillsburry, Chigorin, etc. Não só por uma questão cultural, como também para aumentar o nível de vocês.
E na prática como Paul Morphy ajudaria você a ganhar um partida num aberto do Brasil, por exemplo? Vou responder mostrando uma partida jogada por min mesmo contra o maranhense Roberto Cardoso, no Aberto do Brasil - Etapa Pará - de 2010.
Jogamos um defesa Philidor em que as pretas jogaram o fraco 3.Bg4? que já em 1858 já foi considerado um lance fraco. Me lembrei na hora dessa partida:
http://www.chessgames.com/perl/chessgame?gid=1233404
Sabia das idéias gerais das análises dessa partida e de que o fundamental era abrir linhas, e procurar dar atividade às peças, bem no espírito das partidas de Morphy. Não por acaso, no lance 12 já estava ganho e apesar de não ter visto o óbvio 13. Bxf7 que ganha direto, consegui ganhar em 17 lances.
Por quê isso? Como falei, além de ter me lembrado da partida acima, que é muito bonita, recordei de todo os ensinamentos que se aprende quando se estuda as partidas de Paul Morphy: rápido desenvolvimento de peças, necessidade de dar atividades às peças mesmo às custa de perdas materiais, simplicidade de estratégia a ser seguida, etc.
Resumo:
Minha partida: http://www.chessvideos.tv/chess-game-replayer.php?id=43007
Partida Modelo: http://www.chessgames.com/perl/chessgame?gid=1233404
Partidas de Paul Morphy: http://www.chessgames.com/perl/chessplayer?pid=16002
Fontes Adicionais sobre Paul Morphy: Livro: A História do Xadrez, de Edward Lasker (em outros posts eu comento mais sobre esse livro):
http://www.livrariasaraiva.com.br/produto/431760/historia-do-xadrez/?ID=BD5293087DB0404000A290724&PAC_ID=33957
Wikipedia: http://pt.wikipedia.org/wiki/Paul_Morphy
É isso, abraço.
sábado, 12 de março de 2011
IRT - Manaus
Sendo assim, o torneio obteve grande sucesso, já que vários jogadores obtiveram bloco FIDE, sendo que o roraimense Endson Lima conseguiu seu último bloco.
O torneio contou com 22 jogadores, sendo 2 do estado de Roraima (Janio Ribeiro e Endson Lima) e 2 do Pará ( o cidadão que escreve esse blog e o Clauber Martins).
Bom... minha atuação no torneio foi extremamente modesta, pra não dizer ruim. Perdi na primeira rodada em 18 lances, fato que dispensa muitos comentários sobre a qualidade do meu jogo... A outra partida que perdi foi contra um garoto muito talentoso de 12 anos e que começou a jogar ano passado (!!) Ronnie Frank, que jogou conseguiu defender muito bem uma posição de bispos de cores opostas no meio jogo sendo que eu quis atacar a todo custo e enveredei pra um final perdido (era melhor Dxe5! = ao invés de Dxf2+?? ) que ele converteu muito bem em vitória.
Algumas partidas se salvaram, como minha vitória contra o Clauber e até o meu empate contra o Leonardo Gadelha, final de torre que estava com um peão a menos. No mais, resta ver os pontos fortes e fracos do meu jogo e a certeza de que existe um longo caminho a se percorrer pra melhorar o meu nível técnico. Mas, exatamente por isso foi excelente a oportunidade de conhecer Manaus e o pessoal de lá, extremamente hospitaleiros.
Abraço também pro pessoal de Roraima, que são uma "POTÊNCIAA" rsrsrs - Janio e Endson. Tomara que a delegação de Roraima venha em peso aqui pro Pará no Regional!
Aí vão as partidas, não necessariamente na ordem que foram jogadas no torneio. É só copiar os links e colar no browser.
Obs: Não anotei a partida com o Ronnie então alguns lances podem estar invertidos, mas a posição nos lances críticos meus h4?! e Dxf2+?? em vez de Dxe5! estão na posição certa.
Célio Barbosa x Rodrigo Chaves
http://www.chessvideos.tv/chess-game-replayer.php?id=41938
Rodrigo Chaves x Vitor Gabriel
http://www.chessvideos.tv/chess-game-replayer.php?id=41941
Ronnie Frank x Rodrigo Chaves
http://www.chessvideos.tv/chess-game-replayer.php?id=41942
Rodrigo Chaves x Elismar Benayol
http://www.chessvideos.tv/chess-game-replayer.php?id=41944
Rodrigo Chaves x Leonardo Gadelha
http://www.chessvideos.tv/chess-game-replayer.php?id=41945
Clauber Martins x Rodrigo Chaves
http://www.chessvideos.tv/chess-game-replayer.php?id=41946
Enrique Soto Gutierrez x Rodrigo Chaves
http://www.chessvideos.tv/chess-game-replayer.php?id=41947
Rodrigo Chaves x Hugo Berardino
http://www.chessvideos.tv/chess-game-replayer.php?id=41949
Endson Lima x Rodrigo Chaves
http://www.chessvideos.tv/chess-game-replayer.php?id=41950
Site do Evento:
http://www.fax-am.org/
Site Xadrez do Norte:
http://www.xadrezdonorte.com.br/
Abraço!
quarta-feira, 9 de março de 2011
Match em Marabá.
O match terminou em 2 x 0 em favor da Talita.
segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011
7ª rodada.- Final
A partida mais importante da última rodada foi Daniel x Leonardo na mesa um. Vimos novamente a bogoíndia do Léo entrar em ação, sendo que numa posição claramente favorável ao Léo.
As brancas, conscientes de que precisam liberar suas peças pro jogo mesmo à custa de algum sacrifício material, liberam a posição com 15. d5!, tentando entrar na variante: 15. (...)exd5 / 16 cxd5 - Bxd5 / 16. Bc4! e as brancas conseguem trocar o forte bispo preto da grande diagonal.
Mas as negras não caem nessa variante e jogam 15(...) Cxd2! seguido de 16. e5! proseguindo o ataque preto. Porém, no lance 20. as pretas fazem o terrível 20. h5? deixando escapar toda a vantagem, ao que as brancas aproveitam muito bem com 21.h4! atravacando o ataque negro e complicando o jogo em favor das brancas agora.
O jogo foi para complicações táticas e no calor do apuro de tempo, as brancas cometem o erro final com 41.Td6?? permitindo-se cair na rede de mate que começa com 41.De1+
Parabéns ao Léo, que conseguiu o segundo lugar nesse torneio apesar de ter perdido um ente querido e ter ficado sem jogar a segunda rodada, empatando uma partida e ganhando 5!! Sendo que uma contra o campeão do torneio, que foi essa última partida do torneio.
domingo, 30 de janeiro de 2011
6ª rodada: Bruno x Cohen
Mas mesmo assim a partida seguiu mais ou menos os lances normais, até onde eu sei. Só creio que em vez de 13.Dc2 as brancas deveriam ter jogado 13.cxd5, e se 13.Dxd5+ segue 14.f3! com a ameaça de 15.e4! ganhando espaço no centro.
Com 13.Dc2 as negras aproveitaram a chance e jogaram 13.e5! ganhando espaço no centro. As brancas passaram então a se defender o resto do jogo todo e as pretas atingiram a pressão máxima depois de 24.Cf2, as pretas então jogaram 24.exf3 e perdem uma grande parte da vantagem, o melhor era 24.f4! com a idéia de e3, apertando o laço no jogo branco.
Depois disso, as brancas se defenderam com tenacidade e conseguiram o empate.
terça-feira, 25 de janeiro de 2011
5ª rodada - final
É interessante falar dela porque mostra um pouco do método que é utilizado quando se quer jogar pra ganhar de pretas e o adversário é mais fraco.
O léo jogou sua bogo-índia de estimação e usou seu arranjo de peças que ele tá acostumado: bispo de b4 dobra os peões na coluna - c, o que por si só quebra a simetria da posição e cria uma potencial casa forte para o cavalo em e4. O cavalo nem chegou a ir para e4, mas não foi preciso. Com o bispo em b7, a Dama indo pra ala do rei via e8 e h5, e, depois as duas torres (!!) apontando para o pobre rei branco, ganhar o ponto só foi uma questão de tempo.
Vendo essa partida, me lembrei de uma que foi jogada hoje no tata steel chess, entre Nakamura e Anand. Mantendo as devidas proporções, dá pra vocês verem como alguma das milhares de variantes e subvariantes dessa linha. O Anand conseguiu jogar o cavalo em e4, mas Nakamura organizou algum contrajogo com d5 e conseguiu segurar o final em que ele ficou um pouco pior, depois de Rxf6.
http://www.chessgames.com/perl/chessgame?gid=1604519
abraço!
domingo, 16 de janeiro de 2011
5ª rodada
Jogamos uma Francesa, variante clássica, com 3.Cf6, o que eu não esperava (achava que ia ser a Najdorf) fiz uns lances lógicos na abertura, mas não consegui nada demais, e posso até dizer que as negras estavam um pouco melhores depois do lance 20. Vale notar que o lance 10. das negras pode ter sido uma pequena imprecisão (era melhor b5 direto) e o meu 13.g3 pode ter sido pouco ousado (talvez g4 fosse melhor).
Detalhes à parte (que são importantes quando a partida é rápida e intensa). Atingimos uma posição do tipo "faca-de-dois-gumes no lance 26. Achei muito interessante a estratégia de defesa e ao mesmo tempo contra-ataque das negras em jogar Rh8! permitindo f6, mas em contrapartida pensando no plano Df8-g8-g6, atuando na diagonal b1-h7, rumo ao meu rei.
O lance 27 foi crítico porque eu tinha que escolher entre uma variante muito forçada, que, na hora, não via que era boa pra min, e uma variante mais defensiva, porém mais segura. Escolhi a segunda opção porque realmente: 27.Te5, com a idéia da manobra Tg5 e Tg7 demorava muito, as negras chegavam em a2 e até sacrificavam o cavalo em b3, pra tentar o mate! Entretanto, depois da partida o pessoal mostrou que talvez fosse possível (o Rybka analisou muito rápido) a combinação com o intermediário Tg5! Exemplo: Te5-Ta8/Th5-Ta5/Dh4-Dg8/Tg5!-Df8/Tg7 e aí ganha a Dama, e segue uma série de xeques até o ganho de fato.
Mas eu sou humano e fiquei com medo de Txa2 e o inevitável mate em a1 ( o cavalo impede a fuga do meu rei via d3). Então joguei 27.Bf1, a partida seguiu a segunda linha que eu havia dito, spo que depois de algumas imprecisões das negras eu me senti tentado a jogar o provocativo 37.g4!? que, objetivamente empata, mas como eu sabia que o Liduíno joga muito rápido e agressivamente, talvez ele pudesse se enrolar.
Foi o que aconteceu. 40. d3 com certeza foi o lance perdedor.O correto seria 40.Dg6! quem em todas as variante que a gente analisou depois da partida leva ao empate, porque se eu tento sair com a minha torre ao ataque, as negras conseguem um perpétuo com a dama.
Enfim, depois de 41.Tg2 a partida acabou.
5ª rodada
A partida seguiu uma linha super teórica da siciliana variante lasker, também chamada de schevenshinikhov (não sei como se escreve isso hehe).
Como eu disse, a variante é extremamente teórica, mas existe é claro, todo um conjunto de idéias por de trás dela.
Por exemplo, pode acontecer, como na partida, das brancas ganharem um peão na ala da dama e as negras em compensação, terem inciativa no centro e ala do rei. No caso, as brancas fizeram uns lances confusos com a torre vagando pela quinta fileira, ficando cravada, devido à ameaça em f2.
Mesmo assim, durante quase todo o tempo, o rybka dava igualdade - eu me lembro que o Cohen colocou o Rybka pra funcionar logo após a partida, no lado de fora so salão de jogos. Foi possível ver que o erro realmente crucial foi mesmo o último lance 31. Da5?? que permite o golpe tático 31.Tbxf2!
O correto mesmo era 31. Tc6! que tiraria a Dama da perigosa diagonal g1-a7, e consequentemente da pressão em f2, centro de toda a partida.
Para ilustrar um pouco dessa complexa e extremamente teórica linha da siciliana, deixo o link de duas partidas que eu acho bem interessante nessa linha, na primeira, o Leko utiliza um desenvolvimento diferente do Cohen com Ccb4! e Bb5 com a idéia de Bc6, tudo isso jogando precocemente h4! com a intenção de descoordenar um pouco a ação do bispo negro.
Na outra, de novo o nosso amigo Peter Leko ( escolhi mostrar partidas dele porque ele joga muito bem essa variante posicional da Sveshinikov) joga uma partida mais parecida do que ocorreu aqui no aberto do Pará, com a diferença de que o húngaro preferiu focar no peão de d6 atrasado, atacando o centro, do que jogar sua artilharia no peão de a5 da ala da dama.
http://www.chessgames.com/perl/chessgame?gid=1486772
http://www.chessgames.com/perl/chessgame?gid=1485678
E a partida jogada aqui no Pará =)
Abraço e até os próximos posts.
4ª Rodada parte 3
Mas, retomando o cavalo de d5 com o peão c, comecei a jogar naquela coluna, fui para um final de torre e bispo contra torre e cavalo (final favorito de Bobby Fischer) ganhei um peão e fui melhorando a posição até ganhar.
sexta-feira, 14 de janeiro de 2011
4ª rodada parte 2
Lembrando que quem quiser ver todas as partidas que foram jogada nesse torneio, é só ir em :
http://www.abertodopara2010.fexpa.org.br/ que lá tem todas as partidas em pgn.
Continuando a comentar a 4ª rodada, achei interessante a partida Leonardo Eleutério x Antenor Braga.
Seria mais fácil o Léo vir aqui e postar suas análises sobre a partida, já que ele está muito mais familiarizado com as idéias da catalã do que eu. Mas, vou tentar relatar algumas impressões sobre essa partida.
O esquema que as pretas utilizaram para combater a catalã é super-sólido e talvez por isso, um tanto passivo. Nessa formação de peões em c6-d5-e6 o pessoal hoje em dia tenta desenvolver o BD via b6 colocando-o em b7 ou a6.
As negras tentaram jogar o libertador e5 mas não tiveram tempo pra isso. Com 8.c5 que a primeira vista eu tinha achado ruim, mas na verdade é um bom lance, principalmente seguido de 9.Bf4! , as brancas conseguiram o seu plano de dominar o centro (evitando e5) e já podiam tentar algo na ala do rei.
Aí veio o lance que eu acho principal na partida 11.e4. Outro que a primeira vista eu não faria, porque expõe o peão de d4 que está fraco. Mas, colocando rapidamente aqui no rybka ele dá inclusive como resposta a continuação que o antenor jogou contra 11.e4. Mas, talvez fosse melhor 13.Cf6 em vez de 13.f5, afim de evitar debilidades.
Com 14.Cxh7, as brancas entram em um final superior devido aos peões da ala dama estarem bem avançados e o peão de d4 poder ser protegido, e o bispo da dama preto não jogar.
As brancas manobraram bem, colocaram o cavalo em d6 e depois disso o ganho material era inevitável.
quinta-feira, 13 de janeiro de 2011
4ª rodada
As negras buscaram o jogo de gambito com 7. b5, no que as brancas, depois de 8. a6 , jogaram o pouco utilizado 9. b6 - geralmente as brancas jogam 9. a4 aqui, segundo uma pesquisa que eu acabei de fazer aqui rsrsrs.
Depois de 9.b6, as negras não precisam e nem devem retomar esse peão com a Dama, porém o bando preto assim o fez, permitindo o pequeno ganho posicional 10. Cd2! E agora as brancas vão até c4 com ganho de tempo. No lugar de 9. Dxb6 eu jogaria 9.Cbd7, em algumas linhas dessa variante, as pretas também podem desenvolver o BD via a6.
Com as peças mal coordenadas, as pretas jogaram 17.Td8? depois 19.Tb8 mostrando que estavam sem um plano claro. Quando acharam o plano Ce8-c7-b5-d4, as brancas já tinham o domínio do centro com a ameaça de 26. Cxd7 seguido de 27. e5 com vantagem significativa.
Por isso, as negras se precipitaram jogando 26. e5? e depois disso o jogo passou pro violentas complicações táticas sendo que depois que as brancas poderiam ter acelerado o ganho com 34. Tf1+ e se, por exemplo 34. Rg7 35. Bxd7! Dxd7 36. Bh6+ ganhando a dama.
Mas as brancas encontraram o caminho e acharam o arremate 36. Tef3!
quarta-feira, 12 de janeiro de 2011
3ª rodada - continuação
A partir seguiu a linha do sistema colle, com as brancas adotando uma formação bem típica com os peões em d4-c3-e3 , bispo em d3, cavalos em f3 e d2 etc. Jogo muito contra esse sistema quando vou jogar na internet pra passar o tempo e o jogador de Icoaraci Paulo David é o nosso adepto desse sistema aqui no Pará, com a diferença que o Paulo gosta de colocar o peão em f4 antes de desenvolver o cavalo do rei.
Eu adotei uma formação de peões "porco-espinho" . Posicionando-os em e6 - d6 - b6 e teria que jogar a6 também, mas com a Dama em e2 e o bispo em d3 esse "sonho" ficou adiado. A idéia da formação porco-espinho é manter o centro dinâmico, para, no momento certo, explodi-lo com b5, d5 ou e5, no mínimo igualando o jogo.
Mas o fato foi que eu falhei em achar o plano certo. Depois de 10. Cxd4 (geralmente as pessoas retomam com o peão) eu não encontrei o plano certo. O correto seria eu ter jogado 11. e5, só que eu não queria que o cavalo branco atingisse a casa f5 e o meu Bispo de e7 fosse trocado, deixando fraco o peão de d6. Só jogando e5 a posição seria mais dinâmica já que eu poderia joga, no momento oportuno, d5! Abrindo a posição e ativando as minhas peças. De qualquer forma, pelo menos com 11. e5 eu ficaria com uma posição menos passiva do que eu fiquei na partida.
O fato foi que as brancas foram que jogaram 13.e5 e depois com 17.Dh5! eu me vi com problemas para me defender - só colocar um cavalo em f8 não era suficiente.
As brancas tentaram um ataque de mate, e eu estava no espírito de me defender ( fomos os últimos a sair da sala) já que tinha vindo de uma doída derrota na segunda rodada.
Achei um recurso interessante 30. Bxf3! Só que falhei na continuação, jogando 31. Bxd1?? Foi uma alucinação de fim de jogo. Eu achei que sacrificando a Dama era o único jeito de evitar o ataque de mate. Mas o simples 31. Db6! aproveitando que a torre em e3 está indefesa, deixava a minha Dama no jogo e garantia uma partida mais equilibrada, depois de tanto tempo me defendendo.
Na fase final da partida, fui capaz de criar uma certa fortaleza com a torre o bispo e um pouco de preocupação para as brancas com o peão passado em f4, tudo isso aliado a um grande apuro de tempo de ambos os jogadores.
Na agitação do zenoit (apuro de tempo) as brancas entregam o peão passado "a" e quem fica com chances de vitória são as negras. Infelizmente, tinha muito pouco tempo no relógio e não consegui ver os melhores lances. As brancas acharam bons recursos e empataram por xeque-perpétuo.
A parte final da partida o Clauber filmou, seria legal ver ela aqui no blog.
abraço.
terça-feira, 11 de janeiro de 2011
Terceira Rodada
A partida foi uma Holandesa, na qual as brancas jogaram o pouco correto, a meu ver, 9.f4? já que a idéia da holandesa, quando você está com as peças brancas é realizar a ruptura f3 - e4 tudo isso aliado à idéia de manter a tensão no centro não jogando c5 rapidamente, deixando o peão e c4, as vez até sacrificando-o , tomar em d5, etc. Claro que tudo isso depende do que as pretas pretendem fazer também rsrsrs.
Bom, o fato é que as brancas jogaram f4 e criaram uma debilidade gigantesca em e4, que foi explorada pelas brancas. Mas apesar de tudo, as brancas seguiram um plano estratégico coerente e conseguiram um jogo ativo na ala da dama e até na ala do rei. Mas, as brancas cometeram algumas imprecisões e permitiram às negras realizar o golpe 33.c5! igualando o jogo, e , depois de 35. Txe5! o jogo ficou decidido para as negras.
Partidas em que as brancas jogam a holandesa jogando f3-e4 ou sacrificando o peão de c4:
http://www.chessgames.com/perl/chessgame?gid=1569961
http://www.chessgames.com/perl/chessgame?gid=1602683
segunda-feira, 10 de janeiro de 2011
Segunda Rodada.
Uma outra partida interessante, foi o confronto do simpático jogador de Roraima Joá Costa com o campeão paraense 2008, Paulo Cohen.
A partida foi uma siciliana variante scheveningen, na subvariante do famoso ataque inglês. Cohen jogou certos os lances teóricos, mas na hora de fazer o sacrifício de qualidade com 13. Txc3! que jurava que ia fazer, dado o jogo agressivo que é comum do Cohen, ele joga 13.Cc4, que não chega a interrogar, mas não é a mesma coisa. No mais, a partida continuou com umas confusões tática no centro-ala da dama, mas que terminou em empate.
Duas partidas em que as negras jogam Txc3:
http://www.chessgames.com/perl/chessgame?gid=1287630
http://www.chessgames.com/perl/chessgame?gid=1546674
Ainda primeira rodada.
A partida foi uma abertura estranha, que eu não sei nem o nome, que começa com 1.Cc3?! Esse começo tem o mérito de eliminar toda a preparação de aberturas do adversário. Aldo tentou transpor pra uma defesa francesa com 1.e6, mas não jogou o 2.d5, não sei porque. Em vez disso, entregou o par de bispos sem motivo, com a manobra 2.Bb4? e 3.Bxc3? O resultado dessa concessão foi que o jogador de Manaus, apesar de não ter um peão no centro tabuleiro, já no lance 9, com Bh3, já possuía um grande domínio do centro devido ao par de bispos. Logo as brancas ganharam um peão e a posição foi ficando complicada para as negras.
Aldo buscou contrajogo através da manobra 15.Dc7 - 16.Cxc7 - 18.b5! buscando ativar o cavalo. Foi uma idéia interessante, que quase deu certo na partida, só que eu preferiria não trocar as damas, já que as negras estão inferiores e buscar um jogo complicado com 15.Da5/ 16.Bc1 - 0-0-0.
A partida seguiu um final bem complicado, que parece que as brancas não conseguiram jogar os melhores lances, apesar de terem sempre a vantagem.
O interessante é ver aqui no Rybka ( assim é fácil rsrsrs) que no lance 40. das negras, se elas tivessem jogado 40. Cd4 + em vez de 40 Ce1, teriam igualado totalmente a partida.
Mas, o ponto que realmente me chamou a atenção no jogo foi o fator: pressão do tempo.
O Aldo, ali por volta do lance 33, tinha 20 min no relógio, enquanto que o Andrey, menos de 2min!
E não é que o que parecia incrível aconteceu: o jogador de Manaus, que está acostumado a situações assim, jogou de forma incrivelmente veloz, fazendo lances fortes, enquanto que o Aldo, que não é um bom jogador em situações de apuro de tempo, se deixou inverter no relógio, perdendo pelo tempo!!!!
Essas duas partidas da primeira rodada ilustram uma coisa que eu percebi na prática já faz algum tempo: no jogo de torneios, existem mais fatores que influenciam numa partida do que o preto e branco das jogadas... muito mais. Questões como: sangue frio, tenacidade, etc,etc, às vezes podem ser determinante para se jogar um bom xadrez em torneios assim, mais do que a pura preparação teórica.
terça-feira, 4 de janeiro de 2011
Aberto do Pará: parte 1
Vou começar uma série de posts sobre um dos principais eventos que ocorrerram aqui em Belém no ano que terminou (2010). A idéia é falar um pouco, pra não se tornar cansativo, sobre as principais partidas foram disputadas no Aberto do Pará 2010, que aconteceu no Hotel Regente.
A primeira partida interessante que ocorreu foi Carmona x Léo ( apesar de no site oficial constar que o Léo tá de brancas, que eu me lembre, era o contrário - me corrijam se não for realmente isso!
Bem, a partida foi uma defesa francesa, umas das defesas favoritas do Léo. Logo as brancas jogaram o lance que foge da teoria convencional: 4.Dg4?! .Geralmente, na variante do avanço da defesa francesa ( 3. e5 ) as brancas procuram jogar lances como c3, Cf3, Be2, Ca3 e Cc2, tudo visando defender o peão de d4, que irá se tornar fraco após cxd4, e conseguir alguma vantagem devido ao seu maior espaço territorial no tabuleiro - ou seja, os peões de d4 e e5.
As negras resolveram então provar que o lance 6. Bd3 das brancas tinha sido uma perda de tempo, então jogaram 6.c4? adotando uma estratégia que eu considero errada pra essa partida. Como falamos a idéia nessa variante é pressionar o centro através de cxd4,etc, podendo até rocar grande depois - só jogando Rb8 pra tirar o rei da coluna c.
Entretanto, o plano negro de fechar o centro e iniciar um jogo de ataque em lados opostos seria bastante razoável se não fosse o inesperado 10. Bxc4! das brancas - as negras não podem tomar o bispo devido ao xeque em d6 e ao duplo em f7. Léo usa então de vários recursos para tornar o jogo mais dinâmico, como h5 e f6! sacrificando um peão pra abrir linhas. O jogo então continua, mas sempre as brancas possuem uma leve vantagem.
O ponto culminante da partida, foi no lance 34 em que as brancas deveriam ter jogado 34.Rb2! com grande vantagem, só que se precipitaram e jogaram 34. Tc2?? permitindo às negras encontrar o recurso salvador Da3! É verdade que ainda havia a possibilidade das brancas jogarem agora 35. Dc4, mantendo a vantagem, mas devido à fatores como o tempo e a pressão, elas jogaram 35.Rb1?? que permitiu as negras igualarem com a manobra de xeque perpétuo em f1 e ameaça de mate em a2.
Uma excelente partida que mostra que mesmo em situações difíceis é possível ir sempre criando problemas ao adversário, seja na posição, seja pressionando no relógio, etc.