segunda-feira, 18 de abril de 2011

Jogos Universitários da Liga de Xadrez do Pará.




A FEUP ( Federação de Esportos Universitários do Pará ) promoveu nos dias 16 e 17 de abril os jogos universitários paraenses (JUPS). O evento aconteceu na Escola Superior de Educação Física, na João Paulo II.

O autor desse blog ganhou o torneio, \o/ , e, até mudar o nome do blog de novo pra uma coisa menos pretensiosa do que xadrez no Pará - tô pensando em colocar "blog do rodrigo chaves" - vou esperar sair as partidas no site da FEXPA e colocá-las todas aqui no blog, no mais, posso colocar uma aqui que achei interessante.

Joguei de pretas contra o Gleydison, calouro de engenharia mecânica da ufpa e pupilo do Clauber na arbitragem, hehehe. Bem, a partida foi interessante porque desde de 6.f4 das brancas eu fiquei refletindo sobre um modo de jogar aquela abertura.

Pensei em jogar um método: g6-Bg7-Cc6 e Bg4, com a idéia de atacar os peões de e5 e d4. Só que essas linhas não ficaram muito claras na minha mente e eu preferi seguir um caminho mais cômodo pra min, com 6.e6.

Porém, não me conformei em jogar sem me precipitar e realizei o fraco lance 9.b5? que foi corretamente respondido pelas brancas com 10. Be4! Me restou sacrificar o peão de d5 a fim de conseguir algum contra-jogo, como foi de fato o que ocorreu na partida. Vale ressaltar que, na minha opinião, se as brancas não tomassem em d5 (15.Dxd5), e procurassem desenvolver as peças, era quase certo que teriam uma posição ganhadora ( não havia pressa em tomar em d5).

Provavelmente eu sacrificaria o peão de qualquer jeito, jogaria d4, mas não sei se adiantaria alguma coisa.

Depois, do meu 16.Cd4, acredito que devido às muitas linhas abertas em cima da posição negra e da falta de desenvolvimento das peças brancas na ala da dama, eu tive tempo suficiente pra pressionar até o erro final com h3.




Ah, tem outra partida que achei interessante ( é, vou mudar o nome desse blog rsrs). Joguei de brancas com o Isaías, estudante da UFPA.

Bom, jogamos uma defesa eslava, e, como as negras realizaram 4.Bf5, pensei na estratégia de pressionar em b7 com a Dama e caso, as negras jogassem 5.Db6 jogaria 6.c5 e jogaria baseado numa "avalanche de peões" na ala da dama, tudo isso foi de fato o que aconteceu na partida.

O interessante é que não considerei os fatores dinâmicos, como diria o moderno conceito da teoria de xadrez. O que quero dizer com isso? Quero dizer que com 14.Rd2?? não tive a percepção tática de que com o meu bispo desprotegido de a6, minha torre desprotegida em a1, a casa fraca em b3, e o meu rei na casa de garfo (d2), ficaria perdido se as negras tivessem jogado 14.Bxc5! já que não posso tomar em c5 porque depois de Cxc5 o cavalo de c5 estaria ameaçando um garfo em b3 e o bispo de a6.

Acontece que as negras não viram isso e jogaram um plano muito lento com 14.Bxb1 e 15.g6. Depois de 17.o-o, eu joguei 18.b5, ficando ganho, as negras tomaram em b5. e eu joguei o intermediário c6! O interessante é que o meu bispo desprotegido de a6 serviu pra apoiar o peão passado de c7, o que era o plano estratégico estático inicial, pena que eu não vi o detalhe dinâmico do sacrifício do bispo em c5.


Assim que eu ver as partidas dos outros colegas que jogaram o JUPS, postá-las-ei =)

Abraço.

domingo, 3 de abril de 2011

Como Paul Morphy pode lhe auxiliar em um torneio?


Como estamos em um período de "entre-safras" de torneios considerados importantes, ou pelo menos com um ritmo de jogo 2 horas KO. Vou passar meu tempo escrevendo alguns artigos aqui e espero que alguns de vocês gostem.

Tive a idéia de falar sobre o enxadrista norte-americano Paul Morphy. Muito pode ser encontrado na internet e em livros sobre a vida conturbada e brilhante desse grande jogador que viveu no século XIX. Por isso mesmo, vou me ater mais à parte prática da coisa, ou seja, relatar como um jogador comum pode tirar proveito da análise das partidas desse grande jogador que viveu à quase 200 anos.

Sim, isso mesmo, duzentos anos! "O xadrez não evoluiu muito de lá pra cá?" Diriam uns. "Essas paritdas prosaicas estão superadas, ninguém mais joga assim." diriam outros. Mas creio que não. Assim como Kramnik - tomada as devidas proporções, lógico - penso que é de fundamental importância para quem quer aumentar seu nível de jogo estudar os grandes jogadores do passado, afim de adquirir cultura enxadrística.

E, sinceramente, os grandes mestres do século XIX são um prato cheio para quem está começando a jogar e quer aprender os principais temas estratégicos e táticos que se usam hoje quase sem pensar - está tudo fazendo parte da abertura , em algumas linhas super forçadas - temas como: bispo mau x cavalo, bispo bom x bispo mau, como explorar um ataque prematuro, etc, podem ser vistas de maneira cristalina em partidas de Lasker, Steinitz, Capablanca , Morphy... entre outros. Antigamente o xadrez científico estava nos seus primórdios e consequentemente as técnicas de defesa também. Então, temas estratégicos como um cavalo muito superior a um bispo bloqueado por seus próprios peões costumavam aparecer com frequência.

Não sei se estou me fazendo entender, mas o que quero dizer é: procurem estudar sujeitos como: Steinitz, Lasker,Capablanca, Morphy, Blackburne, Pillsburry, Chigorin, etc. Não só por uma questão cultural, como também para aumentar o nível de vocês.

E na prática como Paul Morphy ajudaria você a ganhar um partida num aberto do Brasil, por exemplo? Vou responder mostrando uma partida jogada por min mesmo contra o maranhense Roberto Cardoso, no Aberto do Brasil - Etapa Pará - de 2010.

Jogamos um defesa Philidor em que as pretas jogaram o fraco 3.Bg4? que já em 1858 já foi considerado um lance fraco. Me lembrei na hora dessa partida:

http://www.chessgames.com/perl/chessgame?gid=1233404

Sabia das idéias gerais das análises dessa partida e de que o fundamental era abrir linhas, e procurar dar atividade às peças, bem no espírito das partidas de Morphy. Não por acaso, no lance 12 já estava ganho e apesar de não ter visto o óbvio 13. Bxf7 que ganha direto, consegui ganhar em 17 lances.

Por quê isso? Como falei, além de ter me lembrado da partida acima, que é muito bonita, recordei de todo os ensinamentos que se aprende quando se estuda as partidas de Paul Morphy: rápido desenvolvimento de peças, necessidade de dar atividades às peças mesmo às custa de perdas materiais, simplicidade de estratégia a ser seguida, etc.

Resumo:

Minha partida: http://www.chessvideos.tv/chess-game-replayer.php?id=43007

Partida Modelo: http://www.chessgames.com/perl/chessgame?gid=1233404

Partidas de Paul Morphy: http://www.chessgames.com/perl/chessplayer?pid=16002

Fontes Adicionais sobre Paul Morphy: Livro: A História do Xadrez, de Edward Lasker (em outros posts eu comento mais sobre esse livro):

http://www.livrariasaraiva.com.br/produto/431760/historia-do-xadrez/?ID=BD5293087DB0404000A290724&PAC_ID=33957

Wikipedia: http://pt.wikipedia.org/wiki/Paul_Morphy


É isso, abraço.