Bruno Santiago x Aldo Tavares
Essa partida da quarta rodada tem uma história curiosa, e que não tem nada a ver com o jogo, ou quase...
Quando saiu o emparceiramento da quarta rodada, o nosso amigo Dr. Aldo, ficou um pouco ansioso, porque ia jogar com o Bruno, que geralmente conseguia enrolá-lo de brancas. Daí, ele veio me pedir umas dicas sobre uma abertura para tentar ganhar dele. Bom, eu pensei um pouco e achei que se o Aldo jogasse uma Holandesa, podia conseguir sair do meio-jogo e até ir para um final em boas condições, já que o Bruno sempre joga fianquetando o BR. Mostrei para ele algumas ideias da holandesa (a formação "muro de pedra" com e6-f5-d5 e c6; o BD preto se desenvolveria via d7-e8-h5,etc.). Pois bem, quando a partida começou vi que o Aldo tinha gostado das minhas dicas, porém tínhamos esquecido de combinar com o Bruno pra ele jogar também d4-Cf3-Cbd2 etc,etc...
A moral da história é que não adianta tentar jogar uma abertura de última hora pra tentar enrolar o adversário, a não ser que você esteja muito seguro dos imprevistos que pode acontecer. Por exemplo, na partida eu não imaginava que as brancas iriam jogar d3 e e4, as ideias no caso, teriam que ser todas adaptadas.
Um lance ruim do Aldo logo na abertura com certeza foi 9.Bd7?(melhor seria Cbd7, que impediria e4 com Cc5, embora o desenvolvimento do BD continuasse sendo um problemas para as negras) um lance meio que provocado pelo Da4 das brancas. Bd7 descoordena as peças negras, desprotege b7 e permite temas táticos relacionados à debilidade da diagonal a2-g8, o mate de philidor e o peão desprotegido de b7. A combinação começou então com 10.e4! abrindo o jogo e resultando em ganho de qualidade para as brancas.
Nota: Teve uma partida muito interessante na quarta rodada entre o Cohen (vulgo cotonete) e o enxadrista Janio Lopes, de Roraima, porém no site a anotação não tá correta. Se for possível alguém achar essa partida escrita direito, eu posto aqui.
Por essa rodada é só, compenso nas outras.
domingo, 19 de fevereiro de 2012
sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012
3ª Rodada.
Andrey Neves x Rafael Félix
O embate entre o forte enxadrista manauara Andrey Neves e a revelação do xadrez paraense de 2011, Rafael Félix, foi mais uma demonstração da periculosidade de aberturas aparentemente inofensivas, mas que, nas mãos de pessoas que sabem explorar os pequenos detalhes, podem ser mortais. Foi jogado um ataque ninzowitsch, típico do jogador de Manaus. Um momento crítico da partida no lance 14. e4, em que as negras tiveram dentre os vários lances candidatos, as opções 14.dxe4 e 14. Te8. Rafael preferiu a segunda opção, que é boa, porém permite às brancas alguma iniciativa no centro-ala do rei.
Depois de e5 e f4 das brancas, as negras fizeram o péssimo 16.f5?? que é horrível estrategicamente, pois além de debilitar a estrutura de peões do roque, não pára o ataque branco e ainda torna possível enfraquecer d5, tudo isso sem nenhuma compensação e de uma só vez. Bem melhor seria se as negras tivessem jogado 16. Db7! tirando a dama da coluna-c e defendendo o peão de d5, com jogo quase igual.
Depois disso, Andrey fez vários lances bons, continuando o ataque com 19. g4! e arrematando a partida com 28.Dxg7+
Mikhail Iwanow x João Paulo Mendes
Esse duelo da 3ª rodada serve pra prestigiar os grandes capis e brothers Mikhail Iwanow de Manaus (nome de Gm desse mano) e João Paulo daqui de Belém, e aproveito pra falar alguma coisa sobre a índia do rei.
Foi jogado uma índia do rei, variante saemisch, depois de uma leve transposição por parte do JP ( 1.g6?! do JP poderia dar oportunidade do Mikhail jogar uma pirc se ele quisesse). 6. Bd3 das brancas já é um pouco impreciso, sendo o mais jogado 6.Be3. Aqui, as negras poderiam ter aproveitado esse pequeno vacilo branco e jogado algo como 6.c5! ou 6.Cfd7!(com intenção de jogar e5 ou c5 depois), aproveitando que o peão de d4 estava momentaneamente desprotegido. Bom, mas enfim, isso não aconteceu, nada muito grave e a partida prosseguiu para as linhas clássicas sa saemisch. Um momento muito importante da partida foi justamente o lance seguinte, JP deveria ter jogado 7.c6! em vez de 7.Cbd7. A ideia aqui é tornar o jogo mais dinâmico para as negras, atacando o centro e liberando a diagonal d8-a5. O ponto é que depois de cxd5 as brancas quase sempre retomam com o peão c, já que tomar com o peão-e ninguém faz devido a perda de muito espaço no centro com um posterior f5,ganhando e4, e e4, liberando o BR preto. Se as brancas retomam de cavalo (... cxd5 - Cxd5), o jogo negro fica mais livre - o BD pode ir à e6, pode-se jogar f5, etc; com muita luta pelo centro e perda da iniciativa das brancas. E, finalmente, se as brancas depois de c6 e cxd5 das negras, retomam com o peão-c, que é o mais jogado, as pretas jogam como na partida Kamsky-Kasparov, que tem umas ideias parecidas com a partida do JP e do Mikhail, porém sem ter ocorrido o fundamental c6, que daria mais jogo às peças negras.
Outro lance interessante da partida foi 14.b5!? das pretas, numa corajosa tentativa de ativar suas peças, mesmo as custas de mais um sacrifício de peão. O sacríficio de peão em f4 é muito bom e até o de b5, o seria, se as brancas tivessem rocado grande, porém um detalhe na coordenação das peças negras, ( falta de 7.c6) prendeu todo o jogo negro posterior.
Segue abaixo os links de três partidas muito instrutivas sobre como se jogar o ataque saemisch de negras.
Na primeira vemos o Kasparov realizando o lances como c6 e Cf4!(esse o JP achou), que sacrifica um peão para ativar o BR preto, em seguida o "The Boss" desenvolve um feroz ataque na ala da dama (nesse caso, Kamsky tinha rocado grande) e ganha o jogo no melhor estilo Kasparov.
No segundo link, mostro pra vocês a interessante partida Korchnoi-Stein, que o lance 14.b5!? do JP me lembrou, mas também nesse caso, o rei das brancas estava na ala da Dama... É interessante, quem quiser, pesquisar que existem outros meios de jogo (Ch5-f5,etc) além da partida modelo Kamsky-Kasparov.
E, no terceiro link, vai uma partida muito complexa e bela, jogada por nada menos que os gigantes Karpov e Kasparov. É bem verdade que ao que parece, Karpov caiu numa preparação teórica. Mas, esse jogo é excelente para quem quer aprender a ser um jogador dinâmico e de ataque.
1) Kamsky-Kasparov
http://www.chessgames.com/perl/chessgame?gid=1066688
2) Korchnoi-Stein
http://www.chessgames.com/perl/chessgame?gid=1081623
3) Karpov-Kasparov
http://www.chessgames.com/perl/chessgame?gid=1067319
link do artigo do Yasser Seraiwan, que explica as sutilezas dessa bela partida (vale à pena conferir!):
http://www.chesscafe.com/text/yaz26.pdf
O embate entre o forte enxadrista manauara Andrey Neves e a revelação do xadrez paraense de 2011, Rafael Félix, foi mais uma demonstração da periculosidade de aberturas aparentemente inofensivas, mas que, nas mãos de pessoas que sabem explorar os pequenos detalhes, podem ser mortais. Foi jogado um ataque ninzowitsch, típico do jogador de Manaus. Um momento crítico da partida no lance 14. e4, em que as negras tiveram dentre os vários lances candidatos, as opções 14.dxe4 e 14. Te8. Rafael preferiu a segunda opção, que é boa, porém permite às brancas alguma iniciativa no centro-ala do rei.
Depois de e5 e f4 das brancas, as negras fizeram o péssimo 16.f5?? que é horrível estrategicamente, pois além de debilitar a estrutura de peões do roque, não pára o ataque branco e ainda torna possível enfraquecer d5, tudo isso sem nenhuma compensação e de uma só vez. Bem melhor seria se as negras tivessem jogado 16. Db7! tirando a dama da coluna-c e defendendo o peão de d5, com jogo quase igual.
Depois disso, Andrey fez vários lances bons, continuando o ataque com 19. g4! e arrematando a partida com 28.Dxg7+
Mikhail Iwanow x João Paulo Mendes
Esse duelo da 3ª rodada serve pra prestigiar os grandes capis e brothers Mikhail Iwanow de Manaus (nome de Gm desse mano) e João Paulo daqui de Belém, e aproveito pra falar alguma coisa sobre a índia do rei.
Foi jogado uma índia do rei, variante saemisch, depois de uma leve transposição por parte do JP ( 1.g6?! do JP poderia dar oportunidade do Mikhail jogar uma pirc se ele quisesse). 6. Bd3 das brancas já é um pouco impreciso, sendo o mais jogado 6.Be3. Aqui, as negras poderiam ter aproveitado esse pequeno vacilo branco e jogado algo como 6.c5! ou 6.Cfd7!(com intenção de jogar e5 ou c5 depois), aproveitando que o peão de d4 estava momentaneamente desprotegido. Bom, mas enfim, isso não aconteceu, nada muito grave e a partida prosseguiu para as linhas clássicas sa saemisch. Um momento muito importante da partida foi justamente o lance seguinte, JP deveria ter jogado 7.c6! em vez de 7.Cbd7. A ideia aqui é tornar o jogo mais dinâmico para as negras, atacando o centro e liberando a diagonal d8-a5. O ponto é que depois de cxd5 as brancas quase sempre retomam com o peão c, já que tomar com o peão-e ninguém faz devido a perda de muito espaço no centro com um posterior f5,ganhando e4, e e4, liberando o BR preto. Se as brancas retomam de cavalo (... cxd5 - Cxd5), o jogo negro fica mais livre - o BD pode ir à e6, pode-se jogar f5, etc; com muita luta pelo centro e perda da iniciativa das brancas. E, finalmente, se as brancas depois de c6 e cxd5 das negras, retomam com o peão-c, que é o mais jogado, as pretas jogam como na partida Kamsky-Kasparov, que tem umas ideias parecidas com a partida do JP e do Mikhail, porém sem ter ocorrido o fundamental c6, que daria mais jogo às peças negras.
Outro lance interessante da partida foi 14.b5!? das pretas, numa corajosa tentativa de ativar suas peças, mesmo as custas de mais um sacrifício de peão. O sacríficio de peão em f4 é muito bom e até o de b5, o seria, se as brancas tivessem rocado grande, porém um detalhe na coordenação das peças negras, ( falta de 7.c6) prendeu todo o jogo negro posterior.
Segue abaixo os links de três partidas muito instrutivas sobre como se jogar o ataque saemisch de negras.
Na primeira vemos o Kasparov realizando o lances como c6 e Cf4!(esse o JP achou), que sacrifica um peão para ativar o BR preto, em seguida o "The Boss" desenvolve um feroz ataque na ala da dama (nesse caso, Kamsky tinha rocado grande) e ganha o jogo no melhor estilo Kasparov.
No segundo link, mostro pra vocês a interessante partida Korchnoi-Stein, que o lance 14.b5!? do JP me lembrou, mas também nesse caso, o rei das brancas estava na ala da Dama... É interessante, quem quiser, pesquisar que existem outros meios de jogo (Ch5-f5,etc) além da partida modelo Kamsky-Kasparov.
E, no terceiro link, vai uma partida muito complexa e bela, jogada por nada menos que os gigantes Karpov e Kasparov. É bem verdade que ao que parece, Karpov caiu numa preparação teórica. Mas, esse jogo é excelente para quem quer aprender a ser um jogador dinâmico e de ataque.
1) Kamsky-Kasparov
http://www.chessgames.com/perl/chessgame?gid=1066688
2) Korchnoi-Stein
http://www.chessgames.com/perl/chessgame?gid=1081623
3) Karpov-Kasparov
http://www.chessgames.com/perl/chessgame?gid=1067319
link do artigo do Yasser Seraiwan, que explica as sutilezas dessa bela partida (vale à pena conferir!):
http://www.chesscafe.com/text/yaz26.pdf
2ª rodada.
Vou ter que comentar mais sucintamente aqui por que senão não completo todas as rodadas =)
Na segunda rodada tivemos um embate entre os enxadrista Bergson Fragoso do Maranhão e Liduino Furtado do Amapá, mas praticamente naturalizado um capi paraense :-)
Bem, a partida foi um gambito da dama pouco ortodoxo. As brancas basicamente se utilizaram da ideia geral do gambito da dama, que é deixar o peão de c4 como gambito para se utilizar do espaço no centro resultante disso para conseguir algum contra-jogo. Em contrapartida, as negras defendem seu peão recém tomado a todo o custo e montam uma forte avalanche de peões na ala da dama.
As brancas conseguiram alguma coisa nesse sentido, o cavalo em g3 ficou bem posicionado, mirando as debilidades de f6 e g7, quando fosse colocado em h5, e o cavalo de c3 poderia ir para f4 via e2, tentando ameaçar alguma coisa. Entretanto, faltava às brancas alguma coisa, o seu centro não estava assim tão superior e as negras poderiam se defender, porém com jogo complexo.
Quando as negras jogaram 18.Bxc3? o jogo passa a ser estrategicamente mais favorável as brancas já que as casas negras (pontos f6 e g7 antes comentados) ficaram muito expostos. O jogador do Maranhão manobrou bem, se utilizando dos cavalos - um em h5 e outro em f4, quando o peão de e6 ficou fraco, adquirindo vantagem decisiva. Vale ressaltar o bonito lance 31.e4! seguido de 32.d5! - e de novo temos o tema da debilidade das casas negras - tirando qualquer chance de contrajogo para as negras.
Bruno Santiago x Leonardo Eleutério
Outra partida interessante foi o encontro de dois caras que estão jogando muito bem aqui no Pará atualmente: Bruno Santiago de brancas, que depois de anos sem jogar, voltou e sempre se colocando bem nos torneios em que disputa (ficou em 2º lugar nesse Regional Norte) e o Leonardo Eleutério com as peças negras, também conhecido como Léo rsrs, e é o atual campeão paraense, sendo o jogador que mais conquistou títulos depois da "Era Bianor Dantas".
Mais do que analisar essa partida em si, é interessante falar sobre o fator psicológico e o tempo no xadrez. Aqui nessa partida eles foram primordiais. A abertuta foi descompromissada em seguir fielmente qualquer livro, tendo por intenção começar a "jogar xadrez mesmo" como diria o MI (ou GM já?) Diego Berardino, isso é bem típico do Léo, tirar o adversário dos livros para fazer ele pensar logo no começo. O Bruno, com certeza sabia que lances como 1.b6?! Ou até mesmo 5.Bb4?! ameaçando trocar o par de bispos, eram lances um tanto quanto duvidosos, só que deve ter perdido muito tempo pensando na melhor maneira de refutá-los quando na verdade, em posições assim o melhor seria apenas tentar jogar de maneira menos estereotipada, assim como as negras fizeram. Por exemplo, eu não jogaria o "normal" 7.Db3 e 8.d4, ao contrário, jogaria algo como 7.d3 ou 7.a3, e esperaria as negras demonstrarem a vantagem que seria jogar um meio jogo todo sem o par de bispos.
Do jeito que o jogo se desenvolveu, o ataque clássico "ataque Pillsburry"( a saber: cavalo em e5 apoiado pelos peões de d4 e f4) não vingou. As negras encontraram um lance muito bom, talvez o melhor da partida, se bem que era meio forçado hehe, 14.Te6, que permite um lance de defesa posterior ( 21.f6) que iguala a partida.
No final igualado, as brancas cometeram um erro psicológico decisivo. Apuradas no relógio, não quiseram jogar pra empatar e pretendiam forçar o jogo tentando passar o peão de d5. A manobra que iniciou com 42.Cg1 demorou muito e as negras maliciosamente preparam sua cartada final com 42.a4! esperando que no apuro de tempo, seu adversário se complicasse. Foi o que aconteceu. As brancas prosseguiram no plano errado Cf3-Ce5-Cf7+ - d5+ e permitiram as negras arrematarem o jogo com o golpe tático a3! seguido de c3-c2 promovendo.
Aqui vai o link da famosíssima partida que batizou o ataque Pillsbury:
http://www.chessgames.com/perl/chessgame?gid=1109079
Por hora, é só.
Abraço.
Na segunda rodada tivemos um embate entre os enxadrista Bergson Fragoso do Maranhão e Liduino Furtado do Amapá, mas praticamente naturalizado um capi paraense :-)
Bem, a partida foi um gambito da dama pouco ortodoxo. As brancas basicamente se utilizaram da ideia geral do gambito da dama, que é deixar o peão de c4 como gambito para se utilizar do espaço no centro resultante disso para conseguir algum contra-jogo. Em contrapartida, as negras defendem seu peão recém tomado a todo o custo e montam uma forte avalanche de peões na ala da dama.
As brancas conseguiram alguma coisa nesse sentido, o cavalo em g3 ficou bem posicionado, mirando as debilidades de f6 e g7, quando fosse colocado em h5, e o cavalo de c3 poderia ir para f4 via e2, tentando ameaçar alguma coisa. Entretanto, faltava às brancas alguma coisa, o seu centro não estava assim tão superior e as negras poderiam se defender, porém com jogo complexo.
Quando as negras jogaram 18.Bxc3? o jogo passa a ser estrategicamente mais favorável as brancas já que as casas negras (pontos f6 e g7 antes comentados) ficaram muito expostos. O jogador do Maranhão manobrou bem, se utilizando dos cavalos - um em h5 e outro em f4, quando o peão de e6 ficou fraco, adquirindo vantagem decisiva. Vale ressaltar o bonito lance 31.e4! seguido de 32.d5! - e de novo temos o tema da debilidade das casas negras - tirando qualquer chance de contrajogo para as negras.
Bruno Santiago x Leonardo Eleutério
Outra partida interessante foi o encontro de dois caras que estão jogando muito bem aqui no Pará atualmente: Bruno Santiago de brancas, que depois de anos sem jogar, voltou e sempre se colocando bem nos torneios em que disputa (ficou em 2º lugar nesse Regional Norte) e o Leonardo Eleutério com as peças negras, também conhecido como Léo rsrs, e é o atual campeão paraense, sendo o jogador que mais conquistou títulos depois da "Era Bianor Dantas".
Mais do que analisar essa partida em si, é interessante falar sobre o fator psicológico e o tempo no xadrez. Aqui nessa partida eles foram primordiais. A abertuta foi descompromissada em seguir fielmente qualquer livro, tendo por intenção começar a "jogar xadrez mesmo" como diria o MI (ou GM já?) Diego Berardino, isso é bem típico do Léo, tirar o adversário dos livros para fazer ele pensar logo no começo. O Bruno, com certeza sabia que lances como 1.b6?! Ou até mesmo 5.Bb4?! ameaçando trocar o par de bispos, eram lances um tanto quanto duvidosos, só que deve ter perdido muito tempo pensando na melhor maneira de refutá-los quando na verdade, em posições assim o melhor seria apenas tentar jogar de maneira menos estereotipada, assim como as negras fizeram. Por exemplo, eu não jogaria o "normal" 7.Db3 e 8.d4, ao contrário, jogaria algo como 7.d3 ou 7.a3, e esperaria as negras demonstrarem a vantagem que seria jogar um meio jogo todo sem o par de bispos.
Do jeito que o jogo se desenvolveu, o ataque clássico "ataque Pillsburry"( a saber: cavalo em e5 apoiado pelos peões de d4 e f4) não vingou. As negras encontraram um lance muito bom, talvez o melhor da partida, se bem que era meio forçado hehe, 14.Te6, que permite um lance de defesa posterior ( 21.f6) que iguala a partida.
No final igualado, as brancas cometeram um erro psicológico decisivo. Apuradas no relógio, não quiseram jogar pra empatar e pretendiam forçar o jogo tentando passar o peão de d5. A manobra que iniciou com 42.Cg1 demorou muito e as negras maliciosamente preparam sua cartada final com 42.a4! esperando que no apuro de tempo, seu adversário se complicasse. Foi o que aconteceu. As brancas prosseguiram no plano errado Cf3-Ce5-Cf7+ - d5+ e permitiram as negras arrematarem o jogo com o golpe tático a3! seguido de c3-c2 promovendo.
Aqui vai o link da famosíssima partida que batizou o ataque Pillsbury:
http://www.chessgames.com/perl/chessgame?gid=1109079
Por hora, é só.
Abraço.
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