
Oi pessoal,
Depois de muito, muito tempo sem postar, vamos aí colocar algumas análises em relação ao torneio da Páscoa, realizado no feriadão do mês de abril.
Então, vamos lá. A primeira partida que coloco vai ser uma minha, para variar rsrs, e que justifica o título deste post (lambanças...).
Joguei, na segunda rodada, de pretas, contra o Paulo Henrique, que não é o Ganso, mas é o de Icoaraci.
Jogamos 1.d4-Cf6/2.c4-d5?! E aí eu poderia ter jogado: 3.cxd5! - Cxd5 / 4.e4 - Cf6/ 5.Cc3, só que, fiquei incomodado com o lance 5.e5! que geraria um jogo bastante tático.
Por isso, joguei o lance "profissional", "sólido", e, mais fraco: 3.Cf3? (evitando complicações (leia-se: e5) porém evitando também ganhar uma vantagem imediata... Foi um lance meio filosófico, que tem a ver com a minha personalidade e com o meu estado de ânimo pra jogar essa partida. O fato é que esse tipo de jogada tem raízes psicológicas e não táticas ou técnicas.
Dito isso, de repente me vi jogando uma defesa Grunfeld misturada com uma defesa eslava (4.c6), fato esse que me atrapalhou um pouco... já fiquei confuso no terceiro lance ("jogo ou não jogo cxd5?") e agora, 3.g6 misturado com 4.c6 foi um pouco estranho pra min...
Na prática da internet (relâmpago) ou em amistosos eu não ligaria para esses detalhes de aberturas, mas como estou tentando levar o xadrez em competições de 1hora Ko pra cima mais à sério, de modo que todas essas sutilezas de pensamento são extremamente importantes no desenrolar da partida. Mas, também, tenho que ver que levar em consideração todas essas nuances é mais útil em torneios com o nível mais elevado...
Bom, continuando, até que não fui mal na abertura, na verdade, consegui uma boa vantagem já depois do lance 11, porém, caí em um problema crucial para qualquer jogador de xadrez: a falta de um plano definido.
As pretas jogaram 12.f6 e agora? Movo o bispo pra h4, mantendo o peão-f cravado ou permaneço com o bispo na diagonal c1-h6 com o intuito de um posterior Dd2-Bh6-Bxg7, trocando o bispo do roque negro e facilitando um possível ataque na ala do rei?
Joguei a primeira opção: 13.Bh4? e comecei a entrar em um plano totalmente errado, mas era um plano: joguei 15.a4? seguido de 16.d5, com o objetivo de criar um poderoso peão passado.
Eu consegui criar um peão passado, mas ele não foi nada poderoso. O peão estava "mal passado" hehe. Se não fosse por "um detalhe" tático (mate na primeira fileira, só isso...), teria conseguido dar certo a minha combinação iniciada no lance 28. Cxe5?! , porém, Cxe5 foi um lance baseado em esperar que as negras fizessem os piores lances. Coisa que não aconteceu. O simples 31. Rf6! resolveu o problema.
Depois disso, já estava apurado no tempo, ( 1 hora KO tá sendo pouco tempo pra min..) e busquei pelo menos o empate, trocando todos os peões, tal fato aconteceu, porém, outro erro psicológico aconteceu: mesmo com o tempo apuradíssimo, tentei ganhar. Sim ganhar, já que o Paulo Henrique começou a errar e eu consegui três peões pelo bispo. Evitei repetir lances , e, acabei errando. Caí em um final de Rei-Torre-bispo contra Rei e Torre, em uma posição horrível, de mate.
Resumo: Dois ou três erros psicológicos + falta de um plano definido, mesmo em uma posição superior + erro no julgamento correto da posição = lambanças de páscoa!