sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012

2ª rodada.

Vou ter que comentar mais sucintamente aqui por que senão não completo todas as rodadas =)

Na segunda rodada tivemos um embate entre os enxadrista Bergson Fragoso do Maranhão e Liduino Furtado do Amapá, mas praticamente naturalizado um capi paraense :-)

Bem, a partida foi um gambito da dama pouco ortodoxo. As brancas basicamente se utilizaram da ideia geral do gambito da dama, que é deixar o peão de c4 como gambito para se utilizar do espaço no centro resultante disso para conseguir algum contra-jogo. Em contrapartida, as negras defendem seu peão recém tomado a todo o custo e montam uma forte avalanche de peões na ala da dama.

As brancas conseguiram alguma coisa nesse sentido, o cavalo em g3 ficou bem posicionado, mirando as debilidades de f6 e g7, quando fosse colocado em h5, e o cavalo de c3 poderia ir para f4 via e2, tentando ameaçar alguma coisa. Entretanto, faltava às brancas alguma coisa, o seu centro não estava assim tão superior e as negras poderiam se defender, porém com jogo complexo.

Quando as negras jogaram 18.Bxc3? o jogo passa a ser estrategicamente mais favorável as brancas já que as casas negras (pontos f6 e g7 antes comentados) ficaram muito expostos. O jogador do Maranhão manobrou bem, se utilizando dos cavalos - um em h5 e outro em f4, quando o peão de e6 ficou fraco, adquirindo vantagem decisiva. Vale ressaltar o bonito lance 31.e4! seguido de 32.d5! - e de novo temos o tema da debilidade das casas negras - tirando qualquer chance de contrajogo para as negras.




Bruno Santiago x Leonardo Eleutério

Outra partida interessante foi o encontro de dois caras que estão jogando muito bem aqui no Pará atualmente: Bruno Santiago de brancas, que depois de anos sem jogar, voltou e sempre se colocando bem nos torneios em que disputa (ficou em 2º lugar nesse Regional Norte) e o Leonardo Eleutério com as peças negras, também conhecido como Léo rsrs, e é o atual campeão paraense, sendo o jogador que mais conquistou títulos depois da "Era Bianor Dantas".

Mais do que analisar essa partida em si, é interessante falar sobre o fator psicológico e o tempo no xadrez. Aqui nessa partida eles foram primordiais. A abertuta foi descompromissada em seguir fielmente qualquer livro, tendo por intenção começar a "jogar xadrez mesmo" como diria o MI (ou GM já?) Diego Berardino, isso é bem típico do Léo, tirar o adversário dos livros para fazer ele pensar logo no começo. O Bruno, com certeza sabia que lances como 1.b6?! Ou até mesmo 5.Bb4?! ameaçando trocar o par de bispos, eram lances um tanto quanto duvidosos, só que deve ter perdido muito tempo pensando na melhor maneira de refutá-los quando na verdade, em posições assim o melhor seria apenas tentar jogar de maneira menos estereotipada, assim como as negras fizeram. Por exemplo, eu não jogaria o "normal" 7.Db3 e 8.d4, ao contrário, jogaria algo como 7.d3 ou 7.a3, e esperaria as negras demonstrarem a vantagem que seria jogar um meio jogo todo sem o par de bispos.

Do jeito que o jogo se desenvolveu, o ataque clássico "ataque Pillsburry"( a saber: cavalo em e5 apoiado pelos peões de d4 e f4) não vingou. As negras encontraram um lance muito bom, talvez o melhor da partida, se bem que era meio forçado hehe, 14.Te6, que permite um lance de defesa posterior ( 21.f6) que iguala a partida.

No final igualado, as brancas cometeram um erro psicológico decisivo. Apuradas no relógio, não quiseram jogar pra empatar e pretendiam forçar o jogo tentando passar o peão de d5. A manobra que iniciou com 42.Cg1 demorou muito e as negras maliciosamente preparam sua cartada final com 42.a4! esperando que no apuro de tempo, seu adversário se complicasse. Foi o que aconteceu. As brancas prosseguiram no plano errado Cf3-Ce5-Cf7+ - d5+ e permitiram as negras arrematarem o jogo com o golpe tático a3! seguido de c3-c2 promovendo.

Aqui vai o link da famosíssima partida que batizou o ataque Pillsbury:

http://www.chessgames.com/perl/chessgame?gid=1109079



Por hora, é só.

Abraço.

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