Olá pessoal, depois de quase meio ano sem postar, estamos aí tentando recuperar o tempo perdido, e divulgando algumas partidas comentadas dos nossos atletas paraenses como entretenimento à todos os amantes do xadrez!
O segundo semestre de 2011 foi muito movimentado aqui no Pará! Tivemos além do Zonal Norte, a semifinal e final do campeonato paraense, o Regional Norte e, o mais importante de todos, a semifinal do campeonato brasileiro!
Na medida do possível vou escolhendo as partidas mais legais dos principais jogadores paraenses - na verdade vou tentar comentar um pouco a partida de todos - e quem sabe até dos atletas de fora!
Acho legal que apesar de ninguém postar aqui várias pessoas já me disseram que acham o blog legal =) Obrigado pessoal.
Então vamos lá.
Começando pelas partidas do Regional Norte, realizado no hotel Gold Mar, que contou com a presença de vários atletas de toda a região, notadamente vários bons jogadores de Manaus, de Tocantins, Roraima entre outros estados.
Eu era, teoricamente, o número 1 no ranking do torneio, e até que fiz uma boa partida contra meu amigo Genaro Amorim na 1ª rodada. Joguei 1.d4 porque era oque tinha preparado para o torneio, só que quando vi a resposta 1.e6 pensei:"hum, lá vem uma linha ultra-sólida do gambito da dama se eu jogar 2.c4!"
Então, abertura sólida por abertura sólida, preferi jogar uma francesa, que acabou sendo a variantes Burn (com dxe4). Acho uma linha um pouco arriscada para as negras, o GM russo Bareev é mestre nessa linha, mas acredito que na prática, um vacilo das negras permitem um ataque muito forte das brancas.
E foi justamente isso o que aconteceu nessa partida. Decidi montar um setup de roque grande e um ataque de baioneta com h4-g4-g5. Mas o que achei mais bacana dessa partida foi ter encontrado Df1! Vendo o sacríficio temporário de um peão pelo ganho de tempo no ataque com a manobra Dh3- Tdh1. Uma alternativa a 17.cxd4 seria 17.Bxe4, retirando o forte cavalo branco do centro. Mesmo assim, as brancas ainda manteriam uma certa vantagem, pelo ataque na coluna h que está próximo, mas as possibilidades de contra-jogo negro seriam muito maiores.
Bom, depois de 20.Bxf6, o jogo está ganho para as brancas com o computador mostrando mate em 6! Eu, capivara, não vi, e preferi então pressionar os pontos débeis g6 e e6. Depois de algumas complicações o jogo continuou ganho, até que terminou com 29.Cxe6.
Outra partida interessante da 1ª rodada foi Andrey Neves x Gleydison Santos:
Foi jogado uma abertura duplo fianqueto das brancas, bem ao estilo do forte jogador manaura. As negras criaram um esquema baseado em fianquetar o bispo de b7. Acredito que faltou em algum momento c5 por parte das pretas logo na abertura. Eu mesmo gosto do setup estilo porco-espinho contra o sistema colle ou algo parecido, como foi o caso da partida, mas faltou às negras jogarem d5 para igualar em resposta a c4 ( daí eu achar que 2.d6 não foi muito preciso) e, se as brancas não jogassem c4 e sim o esquema c3-e3-Bd3...(sistema colle), o sistema porco-espinho sem necessidade de d5 preto funcionaria perfeitamente.
As brancas encontraram um excelente recurso: d5! seguido de Cd4! Que cria debilidades muito fortes no campo negro, na prática, as negras podem até não estar tão ruins, mas é muito incômodo passar o jogo todo se defendendo... com dois peões dobrados na coluna d e com as peças brancas muito ativas, depois de Bxg7 o ponto branco ficou garantido.
Me lembrei de uma partida em que o mesmo recurso - sacrifício de peão em d5 - é usado, porém as negras mostram bem como se deve proceder:
http://www.chessgames.com/perl/chessgame?gid=1494011
A terceira partida que posso comentar foi Alvaro David x Patrick Albuquerque:
O Patrick jogou o sistema porco-espinho dele bem ao seu estilo, atrasando o desenvolvimento do cavalo de f6 ao máximo, preferindo primeiro desenvolver o BD, BR colocar um peão em d6 e só depois jogar Cf6, não tenho 100% de certeza mas acredito que é muita concessão no centro ofertada pelas negras logo no começo. É por isso que geralmente consigo boas posições de brancas contra ele.
Bom, mas as brancas nessa partida foram tímidas ou não souberam muito bem o que fazer. O cavalo em c2 desprotegido serviu de tema para uma ruptura negra com d5! E o plano a4-a5? foi precipitado também. Depois de 13.Cc2 eu particularmente prefiro o jogo negro, existem muito mais possibilidades pro bando negro (d5-b5 etc) do que para o branco. As brancas também deixaram passar um recurso - 32.b4! - que não salvaria a partida ( elas continuariam perdendo um peão, ou dois ) mas com certeza seria bem melhor do que o que foi jogado. Depois de 32.Dxf7?? o jogo ficou perdido.
Legal. Os comentários das tuas partidas são bem instrutivos.
ResponderExcluirObrigado! A ideia do blog é essa mesma.
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