domingo, 3 de abril de 2011

Como Paul Morphy pode lhe auxiliar em um torneio?


Como estamos em um período de "entre-safras" de torneios considerados importantes, ou pelo menos com um ritmo de jogo 2 horas KO. Vou passar meu tempo escrevendo alguns artigos aqui e espero que alguns de vocês gostem.

Tive a idéia de falar sobre o enxadrista norte-americano Paul Morphy. Muito pode ser encontrado na internet e em livros sobre a vida conturbada e brilhante desse grande jogador que viveu no século XIX. Por isso mesmo, vou me ater mais à parte prática da coisa, ou seja, relatar como um jogador comum pode tirar proveito da análise das partidas desse grande jogador que viveu à quase 200 anos.

Sim, isso mesmo, duzentos anos! "O xadrez não evoluiu muito de lá pra cá?" Diriam uns. "Essas paritdas prosaicas estão superadas, ninguém mais joga assim." diriam outros. Mas creio que não. Assim como Kramnik - tomada as devidas proporções, lógico - penso que é de fundamental importância para quem quer aumentar seu nível de jogo estudar os grandes jogadores do passado, afim de adquirir cultura enxadrística.

E, sinceramente, os grandes mestres do século XIX são um prato cheio para quem está começando a jogar e quer aprender os principais temas estratégicos e táticos que se usam hoje quase sem pensar - está tudo fazendo parte da abertura , em algumas linhas super forçadas - temas como: bispo mau x cavalo, bispo bom x bispo mau, como explorar um ataque prematuro, etc, podem ser vistas de maneira cristalina em partidas de Lasker, Steinitz, Capablanca , Morphy... entre outros. Antigamente o xadrez científico estava nos seus primórdios e consequentemente as técnicas de defesa também. Então, temas estratégicos como um cavalo muito superior a um bispo bloqueado por seus próprios peões costumavam aparecer com frequência.

Não sei se estou me fazendo entender, mas o que quero dizer é: procurem estudar sujeitos como: Steinitz, Lasker,Capablanca, Morphy, Blackburne, Pillsburry, Chigorin, etc. Não só por uma questão cultural, como também para aumentar o nível de vocês.

E na prática como Paul Morphy ajudaria você a ganhar um partida num aberto do Brasil, por exemplo? Vou responder mostrando uma partida jogada por min mesmo contra o maranhense Roberto Cardoso, no Aberto do Brasil - Etapa Pará - de 2010.

Jogamos um defesa Philidor em que as pretas jogaram o fraco 3.Bg4? que já em 1858 já foi considerado um lance fraco. Me lembrei na hora dessa partida:

http://www.chessgames.com/perl/chessgame?gid=1233404

Sabia das idéias gerais das análises dessa partida e de que o fundamental era abrir linhas, e procurar dar atividade às peças, bem no espírito das partidas de Morphy. Não por acaso, no lance 12 já estava ganho e apesar de não ter visto o óbvio 13. Bxf7 que ganha direto, consegui ganhar em 17 lances.

Por quê isso? Como falei, além de ter me lembrado da partida acima, que é muito bonita, recordei de todo os ensinamentos que se aprende quando se estuda as partidas de Paul Morphy: rápido desenvolvimento de peças, necessidade de dar atividades às peças mesmo às custa de perdas materiais, simplicidade de estratégia a ser seguida, etc.

Resumo:

Minha partida: http://www.chessvideos.tv/chess-game-replayer.php?id=43007

Partida Modelo: http://www.chessgames.com/perl/chessgame?gid=1233404

Partidas de Paul Morphy: http://www.chessgames.com/perl/chessplayer?pid=16002

Fontes Adicionais sobre Paul Morphy: Livro: A História do Xadrez, de Edward Lasker (em outros posts eu comento mais sobre esse livro):

http://www.livrariasaraiva.com.br/produto/431760/historia-do-xadrez/?ID=BD5293087DB0404000A290724&PAC_ID=33957

Wikipedia: http://pt.wikipedia.org/wiki/Paul_Morphy


É isso, abraço.

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